Serra-leonesa que viveu 6 meses em aeroporto de Belém embarca para o Panamá
Serra-leonesa deixa aeroporto de Belém após 6 meses

Após seis meses vivendo no aeroporto internacional de Belém, no Pará, a cidadã de Serra Leoa Fatmata Sessay, de 56 anos, finalmente embarca nesta segunda-feira (22) rumo ao Panamá. A viagem só foi possível graças à atuação do Ministério Público do Pará (MP-PA) e a uma decisão da Justiça Federal, que garantiram a regularização de seus documentos e a compra da passagem aérea.

Histórico de vulnerabilidade e roubos

Fatmata chegou ao Brasil há cerca de seis meses, mas teve seus documentos e dinheiro roubados logo após desembarcar em Belém. Sem condições de prosseguir viagem ou de obter ajuda do consulado de Serra Leoa, que não possui representação na região, ela passou a viver no saguão do aeroporto, dormindo em bancos e dependendo da solidariedade de passageiros e funcionários para se alimentar.

O principal objetivo de Fatmata é reencontrar o filho adolescente, de 15 anos, que está no Panamá. A separação ocorreu durante a fuga de conflitos e dificuldades econômicas em Serra Leoa. “Ela deseja se reunir com o filho, que é a única família que lhe resta”, afirmou uma fonte do MP-PA envolvida no caso.

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Atuação do Ministério Público e da Justiça

O caso ganhou repercussão após a divulgação pela imprensa local, o que motivou a intervenção do Ministério Público. A promotoria de Direitos Humanos do MP-PA iniciou um procedimento para garantir a assistência necessária à imigrante. A Justiça Federal determinou que a União prestasse apoio consular e viabilizasse a regularização documental, além de fornecer meios para a viagem.

O MP-PA adquiriu a passagem aérea para o Panamá, e a documentação de Fatmata foi regularizada junto à Polícia Federal. Segundo o órgão, “a situação de extrema vulnerabilidade exigiu uma resposta rápida do Estado, assegurando o direito de ir e vir e a dignidade da pessoa humana”.

Detalhes da viagem e expectativas

O embarque está previsto para a noite desta segunda-feira, com destino à Cidade do Panamá. No Panamá, Fatmata deverá entrar em contato com as autoridades locais para formalizar a reunião com o filho. Ainda não há informações sobre o status migratório do adolescente ou se ele está sob cuidados de familiares ou em abrigo.

A longa espera no aeroporto de Belém expõe as fragilidades do sistema de acolhimento a imigrantes em situação de vulnerabilidade no Brasil. Organizações de direitos humanos destacam que casos como o de Fatmata são recorrentes, especialmente entre africanos que chegam ao país sem rede de apoio.

Fatmata Sessay embarca com a esperança de recomeçar ao lado do filho, após uma jornada marcada por perdas e superação. O MP-PA informou que continuará monitorando o caso para garantir que seus direitos sejam respeitados no Panamá.

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