Manutenção da Sabesp deixa 70% dos bairros de São José dos Campos sem água
Sabesp: manutenção deixa 70% de São José sem água

A manutenção programada pela Sabesp para substituição de três válvulas de grande porte no sistema de captação de água de São José dos Campos deixou cerca de 70% dos bairros do município sem abastecimento nesta terça-feira (21). A intervenção, iniciada na tarde de segunda (20), tem gerado transtornos e prejuízos para moradores e comerciantes, que relatam perda de clientes, cancelamento de atendimentos e aumento de custos operacionais.

Cabeleireira cancela clientes e enfrenta falta de água em casa

A cabeleireira Diana Rosa Dias, que atua em um salão na Rua Santa Clara, na Vila Adyana, precisou cancelar todos os seis atendimentos previstos para esta terça. Segundo ela, a falta de água inviabilizou procedimentos químicos e até a lavagem dos cabelos. "Hoje não tivemos condição de trabalhar porque não tinha água", resumiu. Uma manicure que divide o espaço também encerrou o expediente mais cedo. Moradora do Jardim Satélite, Diana relatou que desde segunda a água já chegava com pressão baixa e, antes de acabar, saiu suja. "Agora não sai mais nada. Tive até que comprar água para fazer comida", contou.

Restaurante fecha após falta de água para higienização

Na mesma região, o empresário Tiago de Oliveira Pinto, proprietário de uma cafeteria e um restaurante, afirmou que os impactos foram imediatos. O restaurante serviu o almoço usando apenas a água das caixas d'água, mas depois não havia água para higienizar equipamentos e utensílios. A solução foi usar materiais descartáveis, elevando os custos operacionais em cerca de 20%. Muitos clientes se recusaram a consumir refeições servidas em descartáveis e deixaram o local. "Não tinham nem como lavar as mãos ou usar o banheiro porque estávamos zerados", disse. Sem condições de operar, o restaurante fechou as portas durante o dia, com perda de clientes, aumento de custos e dispensa de funcionários.

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Estúdio de pilates dispensa alunos e tem prejuízo superior a R$ 500

A fisioterapeuta Tamara Medeiros, proprietária de um estúdio de pilates na Vila Ema, relatou que está sem água desde segunda. A pequena quantidade que chegou não tinha pressão suficiente. Sem água nos banheiros e sem condições de higienizar equipamentos, ela dispensou grande parte das aulas programadas. O prejuízo ultrapassa R$ 500. "Muita gente tem plano contratado e não reembolsável. Tivemos que dispensar boa parte dos alunos porque não havia condições de funcionamento", afirmou.

Academias também sofrem impactos

Uma academia no Jardim Oswaldo Cruz informou que os chuveiros permanecerão bloqueados nos dias 21 e 22 de julho. Já uma unidade no Jardim Satélite suspendeu completamente as atividades após a água da caixa acabar. A empresa buscava um caminhão-pipa para reabastecer e retomar o atendimento. O Sindicomércio informou que acompanha os impactos, mas ainda não possui levantamento consolidado dos prejuízos.

Manutenção afeta 190 mil ligações e deve ser concluída na quarta

A operação para substituir três válvulas de grande porte na Estação Elevatória de Água Bruta (EEAB), no Vale dos Pinheiros, mobiliza cerca de 50 profissionais. Segundo a Sabesp, aproximadamente 190 mil ligações podem ser afetadas, o equivalente a 70% da cidade. As regiões do Putim e da Vila Tatetuba devem sentir menos efeitos por contarem com poços artesianos complementares. A previsão é que o abastecimento seja retomado gradualmente ao longo de quarta-feira (22). A companhia afirma que a substituição das válvulas faz parte de um pacote de investimentos de R$ 29 milhões para modernização do sistema, com caráter preventivo para resolver problemas históricos na captação e reduzir riscos de falhas futuras.

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