A Justiça do Acre acatou o recurso da Liga de Quadrilhas Juninas do Acre (Liquajac) e suspendeu a participação da Quadrilha Malucos na Roça no 18º Circuito Junino de Rio Branco, que começa nesta sexta-feira (12), bem como em outros eventos juninos financiados com verbas públicas no estado. A programação oficial, lançada com investimento de R$ 600 mil, segue conforme planejado, mas a polêmica envolvendo a filiação à liga continua.
Entenda o caso
No início de junho, a equipe Malucos na Roça, impedida de participar dos eventos por não ser filiada à Liquajac, ingressou com uma ação civil pública contra a liga. Na quinta-feira (11), a 2ª Vara da Fazenda Pública da Comarca da capital concedeu uma liminar favorável ao grupo, permitindo sua apresentação. No entanto, a Liquajac recorreu, e a Justiça concedeu efeito suspensivo ao agravo de instrumento, suspendendo os efeitos da liminar anterior.
Carlos Eduardo de Souza, representante da junina, explicou que o caso ainda não foi julgado em mérito. "Não teve certo ou errado, o desembargador plantonista entendeu que a pauta é complexa e tem que ser julgada por um colegiado de desembargadores", resumiu.
Exigência de filiação
Segundo Carlos Eduardo, a exigência de filiação passou a ser aplicada apenas neste ano, impedindo a participação de grupos não filiados em eventos organizados em parceria entre o poder público e a Liquajac. "A liga inseriu no regulamento que apenas quadrilhas filiadas poderiam participar dos festejos. Isso nunca aconteceu nos anos anteriores. Diversos grupos da capital e do interior participavam normalmente, mesmo sem filiação", afirmou.
O grupo se desfiliou da entidade em 2025 e, desde então, enfrenta dificuldades para participar do calendário junino. Antes de recorrer à Justiça, a quadrilha tentou resolver a situação administrativamente, participando de reuniões na Câmara de Vereadores, na Procuradoria do Município, e conversando com secretários e fundações, mas não houve acordo.
Recursos públicos
A principal contestação do grupo é que os eventos são financiados com recursos públicos, obtidos por meio de emendas parlamentares. Carlos Eduardo argumenta que esses recursos deveriam beneficiar todas as juninas participantes, e não apenas as filiadas à liga.
A decisão judicial inicial considerou os argumentos do recurso plausíveis, levando em conta a natureza privada da entidade, sua autonomia e a existência de regras claras de participação ligadas à filiação. O caso agora aguarda julgamento por um colegiado de desembargadores.
Programação do 18º Circuito Junino
Apesar da controvérsia, o 18º Circuito Junino de Rio Branco segue com programação diversificada, incluindo apresentações de quadrilhas, comidas típicas, fogueiras, bingos e transmissão dos jogos do Brasil na Copa do Mundo. O evento, que movimenta a economia local, conta com investimento de R$ 600 mil e é aguardado por moradores e turistas.



