Professor da Ufac homenageia fotógrafa morta em trilha no Paraná
Professor da Ufac homenageia fotógrafa morta no Paraná

O professor Marcos Silveira, da Universidade Federal do Acre (Ufac), prestou uma homenagem pública à sobrinha Ana Paula Silveira Cardoso, fotógrafa de 29 anos que morreu após desaparecer em uma trilha no município de Sapopema, no Norte do Paraná. O corpo dela foi localizado na manhã da última quinta-feira (30), depois de cinco dias de buscas. Na mensagem, Silveira afirmou que a jovem não deve ser lembrada apenas pelas circunstâncias da morte.

Uma relação profunda com a natureza

No relato, o professor relembrou o quanto Ana Paula era ligada ao ambiente natural e às atividades ao ar livre. “Você se foi fazendo aquilo que tanto gostava: caminhando, observando, descobrindo e fotografando num templo sem paredes, construído pela água, pelas árvores, pelas pedras, pela luz, pelas orquídeas e pelo silêncio”, escreveu Silveira. Ele também disse que a fotografia era uma extensão do jeito de a sobrinha existir, pois ela percebia aquilo que muitas vezes passa despercebido aos olhos das outras pessoas.

Além de fotógrafa, Ana Paula era socióloga. O tio destacou a maneira carinhosa e atenciosa com que ela tratava familiares e amigos. “Em você havia simplicidade no melhor sentido da palavra: você não precisava ocupar o centro para ser importante”, completou o professor. A publicação emocionou quem acompanha o caso e circulou rapidamente nas redes sociais. O g1 entrou em contato com o professor Marcos Silveira, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.

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Uma família de aventureiros

Na homenagem, Marcos Silveira contou que o interesse por conhecer novos lugares, pegar a estrada e estar em contato com a natureza era uma característica comum na família. Ele descreveu essa vontade de explorar o mundo como uma “aventura na veia”. “A vontade de saber o que existe depois da curva, no fim da trilha, do outro lado da paisagem. Você tinha isso em você. Nós temos isso na família”, escreveu.

Apesar do gosto por aventuras, o professor ressaltou que a sobrinha era consciente, responsável e cuidadosa. Para ele, a tragédia não ocorreu por imprudência, mas pelas condições do local. Na publicação, ele defendeu que a morte dela sirva para provocar mudanças nas condições de segurança do ecoturismo.

Segurança no ecoturismo

Entre as medidas sugeridas por Marcos Silveira estão a instalação de placas informativas em áreas sem comunicação, a revisão das trilhas, a melhoria da sinalização de riscos e a atualização de protocolos de segurança. O professor afirmou que a história da sobrinha pode ajudar a evitar que outras pessoas passem por situações semelhantes.

  • Instalação de placas em áreas sem informação;
  • Revisão das trilhas;
  • Melhoria da sinalização de riscos;
  • Atualização de protocolos de segurança.

“Se uma única vida for preservada, então, haverá um pouco de você naquela mudança”, escreveu na publicação. Ao final, ele reforçou que a trajetória de Ana Paula é maior do que a forma como ela partiu. “A sua história jamais poderá ser resumida à forma como você partiu, pois, Ana Paula, você é infinitamente maior do que o acidente que te levou”, completou.

O acidente no Salto das Orquídeas

Ana Paula morava em Londrina e trabalhava como fotógrafa. Ela desapareceu no dia 25 de julho enquanto fazia uma trilha no Salto das Orquídeas, um complexo de cachoeiras e quedas d’água localizado em Sapopema, a cerca de 300 quilômetros de Curitiba. O local é muito procurado para ecoturismo e aventura.

Segundo o relato da amiga Ana Carolyne Camilo, as duas decidiram seguir sozinhas até um mirante e tentaram atravessar um rio com o auxílio de cordas. A água estava agitada por causa das chuvas recentes. Durante a travessia, Ana Paula escorregou e foi levada pela correnteza. A amiga tentou ajudá-la, mas também caiu na água.

Ana Carolyne conseguiu se segurar em uma pedra e foi encontrada no dia 26 de julho, depois de passar horas sozinha na mata. Ela foi socorrida e hospitalizada com uma fratura na coluna. As buscas por Ana Paula mobilizaram bombeiros, voluntários, drones e uma aeronave. O corpo da fotógrafa foi localizado na manhã de quinta-feira (30), próximo ao poço de uma cachoeira.

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