Prefeito veta nome de Isadora em unidade de saúde de Lumiar
Prefeito veta nome de Isadora em unidade de saúde

O prefeito de Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio, Johnny Maycon, vetou integralmente a Lei Municipal nº 5.146/2026, que previa nomear a Unidade de Urgência e Emergência 24 Horas de Lumiar como Isadora da Silva Cardoso Stülpen Veiga. A decisão foi enviada à Câmara Municipal nesta segunda-feira (15) e ainda precisa ser apreciada pelos vereadores, que podem manter ou derrubar o veto.

Proposta de homenagem

A proposta, de autoria do vereador Cláudio Damião, havia sido aprovada pelo Legislativo após debates e divergências. O projeto foi apresentado após a morte de Isadora, de 8 anos, em dezembro de 2025. A criança faleceu depois de buscar atendimento de emergência em Lumiar e não conseguir assistência médica adequada, gerando forte comoção na cidade.

Segundo o vereador, a iniciativa surgiu de uma mobilização popular no distrito. Damião afirmou que o projeto foi apresentado durante a Ação Rural de Lumiar, reunião que reuniu mais de 300 pessoas e contou com apoio dos moradores.

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Divergências na Câmara

A discussão sobre a homenagem provocou divergências entre os vereadores. Os favoráveis defenderam que a denominação representaria reconhecimento à memória de Isadora e símbolo da mobilização comunitária. Já os contrários argumentaram que a escolha poderia dividir opiniões e defenderam amplo debate com a população.

Na primeira votação em plenário, em maio, o projeto foi aprovado por 15 votos favoráveis, dois contrários e duas abstenções. Os vereadores Carlinhos do Kiko (PL) e José Carlos Schuabb (União) votaram contra, enquanto Dirceu Tardem (PL) e Janio de Carvalho (União) se abstiveram. Também foi levantada a possibilidade de homenagear outras personalidades ligadas à história de Lumiar. Apesar das divergências, o texto avançou e foi aprovado em definitivo antes de ser enviado ao Executivo.

Vereador critica veto

Em contrarrazões, Cláudio Damião criticou a decisão do prefeito e afirmou que a homenagem representa um pedido da população local. "É um apelo da população este projeto. Teve manifestação, uma série de movimentos, a Câmara aprovou por unanimidade em dois turnos e o prefeito teve a cara de pau de vetar, de causar mais uma vez sofrimento à família. A Isadora morreu por falta de socorro. A Câmara tem a obrigação moral de derrubar esse veto em respeito à família e à população que propôs este projeto", declarou o vereador.

Justificativa da Prefeitura

Nas razões do veto, o prefeito afirma que a decisão não representa desrespeito à memória da menina nem à dor da família. Segundo o Executivo, a medida foi tomada por questões de interesse público e pela ausência de consenso entre os moradores. A Prefeitura recebeu um ofício da Associação de Moradores e Amigos de Lumiar (AMA Lumiar) informando que a escolha do nome de Isadora não refletiria o entendimento majoritário da comunidade e teria provocado divergências.

O governo municipal argumenta ainda que a unidade atende não apenas Lumiar, mas também São Pedro da Serra e localidades vizinhas. Por isso, a escolha do nome deveria buscar maior representatividade e funcionar como elemento de união. A Prefeitura também destaca que existem moradores que defendem a homenagem a Dirceu Spitz, apontado como liderança histórica do distrito, o que reforça a falta de consenso.

Consulta popular sugerida

Entre os argumentos para o veto, o prefeito sugere ampliar o debate com mecanismos de participação popular, como audiências públicas, consultas comunitárias ou até um plebiscito para definir o nome da unidade. Segundo o Executivo, a proposta busca garantir que a decisão represente o sentimento coletivo e contribua para a harmonia social no distrito.

Próximos passos

O veto será analisado pela Câmara Municipal. Para derrubá-lo e manter a homenagem, os vereadores precisarão reunir votos suficientes em plenário. Até a publicação, a Casa Legislativa ainda não havia definido a data da votação. O tema deve mobilizar moradores de Lumiar, familiares de Isadora e lideranças locais, reacendendo o debate sobre a homenagem e a participação da comunidade em decisões sobre equipamentos públicos.

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