A Prefeitura de Governador Valadares apresentou, nesta sexta-feira (12), um diagnóstico financeiro que revela aumento das dívidas, desequilíbrio entre receitas e despesas e dificuldades para manter serviços e investimentos no município. As informações foram divulgadas pelo prefeito José Bonifácio Mourão (PL) durante coletiva sobre os primeiros 30 dias de gestão.
Principais problemas identificados
De acordo com o prefeito, o principal problema é o fato de o município gastar mais do que arrecada. “Hoje, o município convive com despesas superiores à sua capacidade de arrecadação. Em outras palavras, gasta mais do que arrecada”, afirmou Mourão. A situação decorre de um conjunto de fatores, como crescimento das despesas ao longo dos últimos anos, falhas administrativas e dificuldades na arrecadação.
Dívidas pressionam serviços públicos
Um dos pontos centrais do diagnóstico é o volume de débitos com fornecedores e prestadores de serviço. A prefeitura informou que deve cerca de R$ 22 milhões à empresa responsável pela limpeza urbana, com aproximadamente quatro meses de atraso. Também foi mencionada uma dívida de cerca de R$ 14 milhões com o sistema de transporte coletivo, referente a aproximadamente nove meses de subsídios não repassados.
“Estamos devendo à empresa de limpeza pública e à empresa de transporte. Isso impacta diretamente os serviços”, disse Mourão. Na área de obras e serviços urbanos, o levantamento aponta mais de R$ 44 milhões em débitos já liquidados — ou seja, referentes a serviços executados, mas ainda não pagos. A falta de recursos compromete a continuidade de contratos e já levou à redução ou interrupção de atividades por fornecedores.
Queda de receita e falhas na arrecadação
Além do aumento das dívidas, o município enfrenta dificuldades para manter a arrecadação. Segundo o prefeito, houve leve queda no primeiro quadrimestre de 2026. “No primeiro quadrimestre de 2026, a arrecadação teve uma queda de 0,51% em relação ao mesmo período do ano anterior”, afirmou. Entre os fatores apontados estão problemas no sistema tributário municipal, que afetaram a emissão e o processamento de tributos, além de retenções no Fundo de Participação dos Municípios (FPM), relacionadas ao pagamento de precatórios.
Despesas em alta ampliam desequilíbrio
Enquanto a arrecadação caiu, as despesas continuaram em crescimento. Segundo o prefeito, os gastos aumentaram no primeiro quadrimestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse cenário ampliou o desequilíbrio fiscal e reduziu a capacidade da prefeitura de honrar compromissos e investir.
Gastos obrigatórios superam arrecadação
Outro ponto destacado foi a estrutura de despesas obrigatórias do município. Atualmente, os percentuais são:
- 15% para a saúde;
- 25% para a educação;
- cerca de 57% para a folha de pagamento;
- 6% para repasse à Câmara.
A soma ultrapassa 100% da arrecadação. “Essa é a realidade. Nós precisamos reequilibrar as contas públicas”, afirmou Mourão.
Medidas incluem corte de servidores
De acordo com o prefeito, a gestão iniciou ações para reorganizar as contas públicas, como revisão de contratos, contenção de despesas e planejamento de medidas fiscais. Entre as medidas adotadas, a prefeitura anunciou, nesta sexta-feira (12), a demissão de mais de 600 servidores contratados como parte do esforço de redução de gastos. A administração afirma que pretende regularizar pagamentos, melhorar a arrecadação e buscar recursos em outras esferas de governo.
Ex-prefeito rebate críticas
Em nota à Inter TV, o ex-prefeito Coronel Sandro (PL) contestou as declarações da atual gestão. Ele afirmou que Mourão não participava ativamente da administração anterior e criticou a decisão de demitir servidores. Sandro também declarou que adotaria medidas diferentes e classificou as demissões como prejudiciais às famílias afetadas.



