O prédio que serviu de cenário para o clipe do hit "They Don't Care About Us" (1996), de Michael Jackson, pode deixar de ser uma das atrações turísticas do Centro Histórico de Salvador. O motivo é a notificação de desocupação contra Carlos Alberto dos Santos, que há 17 anos mantinha uma imagem representativa do cantor no imóvel e promovia visitas turísticas.
Ordem judicial e prazo para saída
A defesa de Carlos Alberto confirmou ao g1 que a Justiça emitiu uma ordem para que ele desocupe o imóvel até a próxima quinta-feira (23). O vendedor atuava no local sem pagamento, com autorização do proprietário estrangeiro, cujo nome não foi divulgado. O advogado Guilherme Sales, que representa Carlos Alberto, ressaltou que a decisão é de primeira instância e o processo ainda está em andamento.
Transformação em ponto turístico
O local, conhecido como "Casa Michael Jackson", tornou-se atração quase por acaso. Após a morte do cantor em 2009, turistas começaram a pedir para subir na varanda onde Michael Jackson gravou cenas do clipe. Carlos Alberto passou a cobrar R$ 10 por souvenirs relacionados ao "Rei do Pop" para financiar as visitações, sustentando-se com a atividade.
"Eu tiro meu sustento daqui e gostaria de continuar trabalhando no espaço", disse Carlos Alberto ao g1. Ainda não se sabe se o prédio continuará funcionando como ponto turístico após a desocupação.
Reações e futuro incerto
O g1 tentou contato com o proprietário do imóvel, mas não obteve resposta até a publicação. Em nota, o advogado Guilherme Sales afirmou: "A defesa reafirma seu absoluto respeito às decisões do Poder Judiciário, bem como ao trabalho desempenhado pela imprensa, destacando que o processo ainda se encontra em curso e que toda manifestação pública será realizada com responsabilidade, observando os limites éticos e processuais que regem a atuação profissional."
O prédio azul, localizado no Pelourinho, tornou-se parte do roteiro cultural do bairro na última década, especialmente após a morte de Michael Jackson. A decisão judicial pode interromper esse fluxo turístico, afetando não apenas Carlos Alberto, mas também o comércio local que se beneficiou da atração.



