Piracicaba celebra 259 anos com esporte, gastronomia e memórias
Piracicaba 259 anos: esporte, gastronomia e memórias

A cidade de Piracicaba, no interior de São Paulo, completa 259 anos neste sábado (1º). O aniversário é celebrado com programação que envolve esporte, gastronomia, lazer e serviços, mas também reacende memórias de lugares e episódios que fizeram parte da história da metrópole. Em mais de dois séculos e meio, a cidade teve corridas de carro em uma avenida movimentada, um trampolim sobre o Rio Piracicaba e uma cachoeira que atraía frequentadores dentro da Esalq, campus da Universidade de São Paulo (USP).

Essas lembranças foram colhidas pela equipe da EPTV, afiliada da Globo para Piracicaba e região, com moradores que resgataram memórias de momentos marcantes. Os relatos mostram como o convívio com o rio e os espaços urbanos mudou ao longo do tempo, mas deixou marcas profundas na cidade.

Trampolim na Rua do Porto marcou o lazer à beira do rio

O entorno do Rio Piracicaba, hoje um dos cartões-postais do município e endereço de um movimentado complexo gastronômico, já abrigou outro ponto de encontro. Na área onde fica a rampa dos pescadores, funcionou por aproximadamente três décadas um trampolim utilizado por moradores para saltar nas águas do rio. A plataforma esteve ativa entre os anos 1950 e 1980, até enferrujar e desabar.

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A estrutura era tão familiar que sua queda não passou despercebida. “Começaram a balançar lá em cima e esse trampolim quebrou, começou a pender para o lado de lá do poço, ficou uns 30 ou 40 graus inclinado por um tempo, não tinha como reformar e daí cortaram por causa do problema”, recorda Luís Fernando Magossi, pescador e piloto de barco.

Avenida Armando de Salles já recebeu corridas de carro

Uma das avenidas mais movimentadas e importantes da cidade, a Armando de Salles de Oliveira, teve outro uso no passado: virou pista de corrida. Benedito Gianetti Júnior, que hoje é ex-piloto, guarda memórias da infância, quando tinha 12 anos e assistia às provas. “Os carros corriam nessa avenida no sentido da Vila Rezende para o centro, passavam por cima da linha do trem, então, umas características especiais que tinham dessa corrida que faziam naquela época”, conta.

Fotografias da época mostram a preocupação com a segurança. As laterais da pista eram protegidas por fardos de sobras de cana-de-açúcar amassada. “São fardos de resto de cana de açúcar amassada, faziam os fardinhos, aí eram uma proteção do muro, que se o carro batesse, isso segurava”, disse Gianetti. Com acidentes e capotamentos, as disputas deixaram as ruas e passaram a ser realizadas no autódromo da cidade. A tradição das corridas de rua, no entanto, sobrevive na prova 100 Milhas de Piracicaba, que ocorre uma vez ao ano.

Cachoeira dentro da Esalq é patrimônio de memórias

A Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), campus da USP em Piracicaba, guarda uma cachoeira natural que já foi muito frequentada. O acesso hoje é proibido, para evitar afogamentos, mas o local ainda é lembrado por quem conviveu com ele. Imagens obtidas pela EPTV com drone, por meio do Bobina Piracicaba, da equipe do influenciador Danilo Favarim, mostram a força da água no meio da área universitária.

O jornalista e escritor Cecílio Elias Netto frequentava o espaço, conhecido como “cachoeirinha da Luiz de Queiroz”. “Os que mais sabiam nadar, pulavam dela do alto”, afirmou. O relato integra o conjunto de recordações de uma cidade que viu seu lazer se transformar ao longo das décadas.

Passado como referencial para os 259 anos

Em 259 anos, muitos hábitos mudaram em Piracicaba. O que era diversão à beira do rio hoje é ponto de encontro gastronômico; as corridas de carro deixaram as avenidas para os autódromos, e a cachoeira da Esalq virou área protegida. Mesmo com todas as transformações, as lembranças permanecem.

Cecílio Elias Netto, que também ajudou a preservar essas memórias por meio de seus relatos, resume o sentimento: “Não tem jeito de nós fugirmos do passado, seria muito loucura fugir do passado. Não é viver o passado, não é isso, mas tê-lo como referencial”.

Mais notícias da região podem ser acompanhadas no g1 Piracicaba.

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