O mês de julho, dedicado à conscientização sobre os manguezais, expõe os desafios ambientais enfrentados na Barra da Tijuca e Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Esses ecossistemas, essenciais como berçário de diversas espécies e para o equilíbrio ambiental, sofrem com a urbanização desordenada e a falta de saneamento básico. Projetos de reflorestamento e saneamento, como o da Iguá Rio, buscam reverter a degradação, mas especialistas alertam para a necessidade de ações contínuas e educação ambiental.
Recuperação de áreas degradadas avança com reflorestamento
O programa de replantio da Iguá Rio tem sido uma das principais iniciativas na região. Segundo a concessionária, já foram plantadas mais de 10 mil mudas de espécies nativas de mangue nos últimos dois anos. O projeto abrange áreas como o Canal de Marapendi e o Parque Natural Municipal de Marapendi, onde a vegetação nativa está sendo restaurada. No entanto, a recuperação total depende de um esforço integrado.
Especialistas defendem ações permanentes
De acordo com a bióloga Marina Silva, do Instituto Estadual do Ambiente (INEA), “o replantio é importante, mas sem saneamento adequado e controle da ocupação irregular, as mudas não sobrevivem a longo prazo”. Ela destaca que a poluição por esgoto doméstico e resíduos sólidos ainda é o principal fator de degradação. Dados do INEA indicam que cerca de 30% dos manguezais da região apresentam sinais de estresse hídrico e contaminação.
Proteção legal trouxe avanços, mas expansão urbana ameaça
A legislação ambiental, como a Lei da Mata Atlântica e o Código Florestal, oferece proteção aos manguezais, mas a fiscalização é insuficiente. A expansão imobiliária na Barra e Jacarepaguá continua a avançar sobre áreas de preservação permanente. O secretário municipal de Meio Ambiente, Carlos Alberto Muniz, afirmou em entrevista que “a prefeitura tem intensificado as operações de fiscalização, mas é preciso conscientizar a população sobre a importância desses ecossistemas”.
Educação ambiental como ferramenta de preservação
Projetos de educação ambiental, como visitas guiadas e oficinas em escolas, têm sido realizados por ONGs locais. O objetivo é engajar a comunidade na proteção dos manguezais. A ONG Guardiões do Mar, por exemplo, promove mutirões de limpeza e plantio. Segundo seu coordenador, João Pedro Santos, “a participação popular é fundamental para garantir que as próximas gerações conheçam e preservem esses ambientes”.



