O passeio em família de Erivelton Carvalho terminou em frustração e um gostinho amargo de gasto inesperado. Após visitar algumas lojas, fazer compras e assistir a um filme, o enfermeiro se deparou com uma conta de R$ 92 pelo uso do estacionamento do BH Shopping, em Belo Horizonte. Seu relato viralizou nas redes sociais, acumulando mais de 4 milhões de visualizações, quase 5 mil comentários e 33 mil compartilhamentos.
O que aconteceu?
Carvalho levou a sogra, os sobrinhos, a esposa e a filha para um passeio que durou pouco mais de 2 horas. Em seguida, resolveram assistir ao filme "A Odisseia", que tem mais de 3 horas de duração. Com isso, acabou passando quase seis horas no estabelecimento e gastando, ao todo, cerca de R$ 600, incluindo o estacionamento.
"A nossa renda não acompanha. Nosso salário não aumenta na mesma proporção. A gente sabe que é caro e a gente já gasta mais nas lojas. (...) É um sentimento de ser extorquido", relatou Carvalho, quando questionado sobre o que o levou a expor a situação nas redes sociais.
Posição do shopping
Em nota, o BH Shopping informou que "a política tarifária do estacionamento do shopping está alinhada aos custos de operação e manutenção do espaço, com foco na segurança, na infraestrutura e na qualidade dos serviços prestados aos clientes. A cobrança é realizada de acordo com a tabela de preços vigente, fixada e disponível de forma clara em todos os acessos do estacionamento. O valor é de R$ 5,75 a cada 15 minutos, sendo a 2ª e a 3ª horas gratuitas, e, após esse período, retornando a cobrança fracionada a cada 15 minutos, no valor de R$ 5,75." A tabela atual vigora desde maio de 2026.
Carvalho confirmou que havia informativos sobre os valores, mas se surpreendeu com o reajuste recente. Acostumado a frequentar o local, ele esperava gastar aproximadamente R$ 50 pelo período.
Direitos do consumidor
Procurado pela reportagem, o Procon (Programa de Proteção e Defesa do Consumidor) informou que os preços para o serviço de estacionamento não são tabelados e podem variar de acordo com a região e o tipo de estabelecimento. Contudo, conforme o Código de Defesa do Consumidor, o preço e a forma de cobrança devem estar fixados em local visível e de fácil leitura, para que haja possibilidade de escolha consciente.
Também devem ser informados: número de vagas, se há serviço de manobrista e se há seguro contratado (com nome da seguradora, número da apólice, riscos compreendidos e período da cobertura). No caso do BH Shopping, como as informações estavam disponíveis, a cobrança não é considerada abusiva.
Responsabilidade do estabelecimento
O estabelecimento deverá responder pela reparação de danos ou por quaisquer outros prejuízos que o consumidor tenha enquanto o veículo estiver sob sua responsabilidade, mesmo em estacionamentos gratuitos. A placa com a frase "não nos responsabilizamos por objetos deixados no interior do veículo" não tem validade jurídica.
Em caso de perda do ticket, o estacionamento não pode impedir a saída do veículo nem exigir pagamento da estadia máxima ou multa. É dever do fornecedor adotar outro mecanismo para verificar o período utilizado e cobrar proporcionalmente.



