Ventos de 160 km/h em Ribeirão Preto foram microexplosão, não tornado
Microexplosão em Ribeirão Preto: ventos de 160 km/h

O temporal que atingiu a região de Ribeirão Preto (SP) na última sexta-feira (24), com ventos de até 160 km/h, deixou uma morte, destruiu casas e empresas, e causou apagões em várias cidades. Apesar da intensidade, o fenômeno não foi um tornado, mas sim uma microexplosão, conforme explica a meteorologista Josélia Pegorim, do Climatempo.

Diferença entre tornado e microexplosão

Segundo Josélia, ambos os fenômenos são gerados dentro de supercélulas – nuvens muito carregadas e de grande extensão. A diferença principal está no movimento do ar. “O tornado é caracterizado por uma corrente de ar muito intensa, giratória. Quando nós temos um tornado, observamos aquela nuvem funil. A nuvem funil que toca o solo é chamada de tornado. É um vento intenso giratório. Uma microexplosão também é caracterizada por uma corrente de ar descendente, mas que acontece centrada na nuvem, abaixo da nuvem. Ela ocorre em uma região bastante concentrada e o vento forma um desenho meio que radial, divergindo para vários lados”, detalha a especialista.

Os ventos de 160 km/h foram registrados pelo Instituto Agronômico (IAC), centro de pesquisa do estado em Ribeirão Preto. As cidades mais afetadas foram Ribeirão Preto, Guariba, Taquaritinga, Dumont, Pradópolis e Barrinha.

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Danos semelhantes, mas origens distintas

Embora os danos causados por uma microexplosão possam se assemelhar aos de um tornado de categoria 1, a forma como o vento age é diferente. Enquanto o tornado se move em um caminho giratório, a microexplosão desce em forma radial, espalhando-se para os lados a partir de um ponto central. “O tornado faz um caminho, ele vai caminhando. A microexplosão vai como se fosse saindo da base da nuvem em uma forma radial, mas concentrada em uma área muito pequena. Ela vai pra baixo e pros lados”, explica Josélia.

A meteorologista ressalta que ambos podem causar destruição severa, mas tornados são potencialmente mais perigosos. “Só que tornados são considerados fenômenos meteorológicos mais destruidores, porque podemos ter tornados com o vento estimado em 300 km/h, 400 km/h”, afirma ela.

Dificuldade de previsão

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), admitiu a limitação dos modelos meteorológicos atuais para prever fenômenos extremos. A meteorologista Josélia também destaca que a antecipação é limitada: “Nós não conseguimos, tecnicamente, com todos os avanços que nós temos hoje, dar alertas de microexplosão ou de tornados com mais de 24 horas de antecedência. O que os meteorologistas conseguem antever é a possibilidade da formação de uma supercélula. Mas onde, exatamente, ela vai se formar, somente conseguimos ver através de imagens de radar meteorológico, imagens de satélite, pouco tempo antes de ela acontecer.”

Condições que favoreceram a tempestade

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as condições meteorológicas na região foram influenciadas por um cavado em médios níveis da atmosfera, que gerou instabilidade. “Esse sistema, em conjunto com o calor e a elevada disponibilidade de umidade, além da aproximação de uma frente fria, forneceu os mecanismos de grande escala necessários para o desenvolvimento das tempestades”, informou o Inmet em nota.

Supercélulas podem se formar mesmo sem frente fria, desde que haja atmosfera muito instável, com ar quente e úmido combinado com ar seco. Esse cenário é comum em dias muito quentes de verão ou primavera.

Extensão dos estragos

Uma estimativa inicial do governo paulista aponta que o temporal afetou 79 mil hectares, área equivalente a 110 mil campos de futebol ou o tamanho de cidades como Petrópolis (RJ) e Campinas (SP). A tempestade deixou um rastro de destruição, com casas destruídas, queda de árvores e torres de alta tensão, além de interrupção no fornecimento de energia elétrica por dias em algumas localidades.

A classificação do evento como microexplosão, em vez de tornado, reforça a importância de entender as particularidades de cada fenômeno para aprimorar os sistemas de alerta e mitigação de desastres.

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