O mercado de trabalho brasileiro manteve-se robusto no segundo trimestre de 2026, com a taxa de desemprego atingindo 7,2%, o menor patamar da série histórica. No entanto, economistas avaliam que os dados sinalizam uma desaceleração gradual da economia, refletida no ritmo mais lento de criação de vagas e na estabilização da renda média.
Ocupação cresce, mas em ritmo menor
Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) contínua, divulgada pelo IBGE, o número de ocupados no trimestre encerrado em junho foi de 101,2 milhões, um aumento de 0,8% em relação ao trimestre anterior. O avanço, porém, é inferior ao observado nos três primeiros meses do ano, quando o crescimento foi de 1,2%. “O mercado de trabalho ainda está aquecido, mas o ritmo de expansão da ocupação está perdendo força”, afirma a economista do FGV Ibre, Carla Gomes.
Renda estagna e informalidade cai
A renda média real habitual ficou em R$ 2.875, praticamente estável ante o trimestre anterior. A estabilidade contrasta com o crescimento observado no primeiro trimestre, de 1,5%. Por outro lado, a taxa de informalidade recuou para 38,5%, ante 39,1% no trimestre anterior, indicando melhora na qualidade das vagas. “A informalidade ainda é alta, mas a tendência de queda é positiva para o mercado formal”, destaca Gomes.
Setores com desempenho misto
O setor de serviços, que responde por maior parcela do emprego, registrou alta de 1,1% no contingente de ocupados. Já a indústria teve variação negativa de 0,3%, enquanto a construção civil apresentou crescimento de 0,9%. No comércio, o emprego ficou estável. “Os setores mais sensíveis ao ciclo econômico já mostram sinais de acomodação, especialmente a indústria”, explica o economista da USP, Pedro Almeida.
Perspectivas para o segundo semestre
Os analistas projetam que a taxa de desemprego possa subir ligeiramente nos próximos meses, chegando a 7,5% ao final do ano. “A economia brasileira está em desaceleração gradual, mas o mercado de trabalho continua resiliente. A expectativa é de que o crescimento do PIB fique abaixo de 2% em 2026, o que deve refletir em geração de empregos mais moderada”, conclui Carla Gomes.



