Nelson Mandela, um dos maiores símbolos da luta contra o racismo e o apartheid, nasceu há exatos 108 anos, em 18 de julho de 1918. Sua trajetória de resistência e liderança o levou a passar 27 anos preso, entre 1962 e 1990. Apenas seis meses após ser libertado, Mandela desembarcou em Brasília, em agosto de 1991, em uma visita histórica que incluiu a Universidade de Brasília (UnB) e o Congresso Nacional.
Visita estratégica a Brasília
Segundo o Memorial da Democracia, a visita de Mandela ao Brasil preparava sua candidatura para a eleição presidencial sul-africana de 1994 e buscava apoio de governos na luta contra o apartheid. Em seu discurso no Congresso Nacional, Mandela afirmou: "O desafio para todos nós que combatemos o racismo é darmos as mãos em solidariedade e apoio onde quer que possa ser necessário, para que possamos varrê-lo da face da Terra completamente."
Passagem pela UnB
Em 5 de agosto de 1991, Mandela visitou a UnB acompanhado de sua então esposa, Winnie Mandela. Na ocasião, recebeu o título de doutor honoris causa, a mais alta honraria concedida pela universidade a personalidades eminentes. O então reitor Antonio Ibanez Ruiz o acompanhou durante a cerimônia e o tour pela instituição.
Discurso no Congresso Nacional
No dia anterior, 4 de agosto, Mandela esteve no Congresso Nacional, onde discursou para parlamentares brasileiros. A íntegra de sua fala foi registrada na ata da 46ª Sessão Conjunta, publicada no Diário do Congresso Nacional de 6 de agosto de 1991. Em suas palavras, ele conclamou a comunidade internacional a unir forças contra o apartheid.
Quem foi Nelson Mandela?
Nascido em Mvezo, Mandela foi o primeiro de sua tribo a frequentar a escola. Em 1941, fugiu de um casamento arranjado e mudou-se para Joanesburgo, onde estudou direito e se juntou a ativistas como Walter Sisulu e Oliver Tambo. Tornou-se militante do Congresso Nacional Africano (CNA). Com o início oficial do apartheid em 1948, intensificou sua luta.
Em 1956, foi preso com outros 155 ativistas sob acusação de alta traição, mas o processo foi arquivado por falta de provas. Na década de 1960, passou a liderar o braço armado do CNA, "A Lança da Nação", em ações de sabotagem. Preso em 1962, sua pena de cinco anos por sair ilegalmente do país converteu-se em prisão perpétua em 1964, após comprovação de seu envolvimento com a luta armada. Mandela passou 18 anos na prisão de segurança máxima na ilha de Robben.
Libertado em 1990, aos 71 anos, testemunhou o desmonte do apartheid. Em 1993, dividiu o Prêmio Nobel da Paz com o último presidente branco da África do Sul, Frederik Willem de Klerk. Foi presidente do país entre 1994 e 1999, falecendo em 2013, aos 95 anos.



