O setor da indústria registrou alta expressiva no saldo de empregos formais criados no primeiro semestre deste ano em Piracicaba (SP). Por outro lado, setores da construção e do comércio despencaram, levando a uma queda geral na geração de vagas com carteira assinada.
Números gerais de emprego em Piracicaba
Ao todo, a cidade gerou 2.623 empregos entre janeiro e junho de 2026. O total é 9,5% menor do que o registrado no mesmo período de 2025, quando foram abertas 2.899 vagas. Os dados foram divulgados nesta semana pelo Ministério do Trabalho e do Emprego.
Indústria metalúrgica impulsiona alta de 644%
Enquanto os números da indústria cresceram 644% entre os primeiros semestres de 2025 e 2026, os da construção e do comércio caíram 90,6% e 100,3%, respectivamente. No caso do comércio, o saldo do comparativo de contratações e demissões ficou negativo, indicando mais demissões do que contratações no período. A indústria metalúrgica, tradicional na região, foi a principal responsável pelo desempenho positivo do setor industrial.
Construção e comércio em queda livre
A construção civil, que vinha aquecida no ano anterior, sofreu uma retração drástica, com saldo 90,6% inferior. Já o comércio teve desempenho ainda pior, com saldo negativo em 100,3%, ou seja, o número de demissões superou o de contratações. Esses setores são sensíveis ao nível de atividade econômica e à confiança do consumidor.
Ministro do Trabalho aponta juros, tarifaço e guerras como causas
A queda na geração de empregos formais em Piracicaba segue a tendência nacional, em um contexto de juros básicos ainda altos, apesar de a autoridade monetária ter baixado a taxa em três reuniões seguidas. A taxa Selic, fixada pelo Banco Central, atualmente está em 14,25% ao ano. Além dos juros, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, também citou o efeito do tarifaço imposto pelos Estados Unidos e das guerras no Oriente Médio e na Ucrânia para a desaceleração do emprego formal neste ano.
"O comportamento da economia está desacelerando. Você tem, evidentemente, a contribuição negativa dos juros e tem também a contribuição do mister Trump, com os tarifaços, com as consequências da bagunça que cria em alguns setores da economia (...) São números positivos, levando em consideração os problemas que nós estamos enfrentando", declarou o ministro Luiz Marinho.
Contexto nacional desfavorável
O cenário nacional reflete as mesmas dificuldades. A Selic elevada encarece o crédito e reduz os investimentos, enquanto as tarifas comerciais dos EUA afetam as exportações brasileiras. As guerras na Ucrânia e no Oriente Médio geram incertezas geopolíticas que também pesam sobre a economia global. Apesar disso, o ministro destacou que os números de Piracicaba ainda são positivos, considerando os desafios enfrentados.
Perspectivas para o segundo semestre
Especialistas locais avaliam que a continuidade da redução da Selic pode aliviar a pressão sobre os setores mais afetados, como comércio e construção. No entanto, a indefinição sobre as políticas tarifárias americanas e os conflitos internacionais mantém o cenário incerto. A indústria metalúrgica de Piracicaba, por sua vez, segue como motor de contratações, mas não deve sustentar isoladamente a geração de empregos na cidade.



