Após temporal, idosos perdem casa em Ribeirão Preto: 'Parecia terremoto'
Idosos perdem casa em Ribeirão Preto após temporal

Três dias após o temporal severo que devastou Ribeirão Preto (SP) e cidades vizinhas, o aposentado José Valter Pereira, de 71 anos, ainda busca forças para reconstruir a casa que foi parcialmente destruída pela queda de uma árvore de grande porte. No fim de semana, ele e a esposa, Claudete da Silva, chegaram a dormir no carro. Nesta segunda-feira (27), a árvore ainda permanece tombada sobre a fachada do imóvel, no bairro Jardim Jóquei Clube.

Casa destruída e sensação de terremoto

“Eu nunca passei por uma situação dessa. É muito difícil, muito triste. Agora é recuperar o emocional da gente e recuperar a casinha da gente”, desabafou José Valter. O casal teme que outro galho, que já apresenta rachaduras em uma árvore próxima, possa cair e agravar os danos. “Se aquele galho que está rachado cair, vai acabar com o resto da minha casa. Aí eu vou ter que ficar no carro o resto da vida. Condições de fazer outra casa eu não tenho.”

José Valter descreveu o momento da queda, na madrugada de sexta-feira (24), como semelhante a um terremoto. A parte da frente e a cozinha foram as áreas mais afetadas. O vento também destelhou o imóvel, causando infiltrações devido à chuva que só cessou na noite de sábado (25). “A casa parecia um terremoto, ela chacoalhava a hora que caiu o tronco. O vento levou tudo. Foi um desespero. Falei ‘nós vamos morrer’. Se ela caísse direto, ela ia matar nós todos.”

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Família dormiu no carro e pede ajuda

Nesta segunda-feira, com o tempo firme, Claudete começou a limpar a casa. A família perdeu eletrodomésticos, utensílios e colchões. Sem condições financeiras para arcar com uma reforma, a aposentada pede ajuda à comunidade. “Agora eu preciso de ajuda para reconstruir a frente. Eu não tenho condições, somos aposentados, não temos dinheiro para pagar pedreiro, comprar material de construção. Eu não sei, espero ajuda. Tem gente pior que eu, mas eu estou precisando. Vocês estão vendo a realidade da minha vida.”

Mais de 250 árvores caíram em Ribeirão Preto com ventos que, segundo medições oficiais, chegaram a 121 km/h, mas o Instituto Agronômico (IAC) registrou rajadas de até 160 km/h. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), esteve na região no domingo (26) e classificou o temporal como um episódio sem precedentes. “Se registrou 121 km/h, oficialmente. Mas no nosso IAC, a gente chegou a medir 160 km/h de vento. Então, a gente teve aí a perda de 54 torres de transmissão [CPFL falou em 34]. É um evento sem precedente, a gente não lembra de ter visto na história recente, em região nenhuma, um prejuízo dessa monta”, afirmou.

Imóveis ainda sem energia e ação do governo

Mais de 72 horas após o temporal, Ribeirão Preto ainda registra 1.249 unidades consumidoras sem energia, segundo a CPFL Paulista, o que representa 0,35% dos usuários. Em Guariba, uma das cidades mais atingidas, 3,8 mil clientes aguardam restabelecimento. Equipes da prefeitura continuam a retirada das árvores caídas.

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), visitou Ribeirão Preto no sábado (25) e anunciou que a União reconhecerá de forma imediata a situação de emergência de Guariba, Dumont, Taquaritinga, Barrinha e Pradópolis, além de Ribeirão Preto. O decreto federal visa liberar recursos para ajuda humanitária, restabelecimento de serviços básicos e obras de reconstrução nas cidades mais atingidas.

José Valter e Claudete, enquanto aguardam por auxílio, seguem na luta para recomeçar, com a esperança de que a solidariedade alivie o peso da tragédia.

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