A Grande São Paulo enfrentou uma manhã de caos nesta quarta-feira após uma sequência de falhas no transporte público, incluindo a explosão de um trem operado pela concessionária Trivia, que assumiu a gestão de três linhas na semana passada. O incidente gerou uma troca de acusações entre o pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Haddad critica gestão e promete rever contratos
Em entrevista coletiva, Haddad afirmou que, se eleito, irá rever a concessão das linhas ferroviárias. "O que vimos hoje é inaceitável. Uma explosão em um trem lotado poderia ter sido uma tragédia. Vamos rever todos os contratos de concessão para garantir que a população não seja refém de empresas que não cumprem o mínimo de segurança", declarou o petista.
Haddad também criticou a gestão de Tarcísio, afirmando que o governo estadual foi omisso na fiscalização. "O governador prefere culpar o passado, mas o problema é agora. A concessionária acabou de assumir e já temos falhas graves. Isso mostra falta de preparo e de controle", disse.
Tarcísio admite sanções, mas culpa governos anteriores
O governador Tarcísio de Freitas, por sua vez, afirmou que sanções podem ser aplicadas se a Trivia não cumprir o contrato, mas destacou que os problemas na malha ferroviária são históricos. "O problema não começou agora. A infraestrutura que recebemos é de décadas de abandono. Mas vamos cobrar a concessionária e, se necessário, aplicar multas ou até a perda do contrato", disse.
Tarcísio também rebateu as críticas de Haddad, afirmando que o pré-candidato está fazendo "politicagem" com um assunto sério. "Em vez de ajudar a resolver, ele tenta tirar proveito eleitoral. Estamos trabalhando para normalizar o serviço o mais rápido possível", completou.
Caos na Grande São Paulo
A manhã foi marcada por estações lotadas, atrasos e trens superlotados. A explosão ocorreu em um vagão da Linha 8-Diamante, por volta das 7h30, na estação Barra Funda. Não houve feridos, mas o susto foi grande. Passageiros relataram pânico e correria. A Trivia informou que está investigando as causas e que presta assistência aos usuários.
O incidente ocorre em meio à transição da gestão das linhas 8-Diamante, 9-Esmeralda e 7-Rubi, que passaram a ser operadas pela Trivia no último dia 15. A concessionária é um consórcio formado por empresas brasileiras e estrangeiras. Especialistas apontam que a transferência foi apressada e que a empresa não teve tempo suficiente para se preparar.
O Sindicato dos Metroviários de São Paulo criticou a privatização e pediu a intervenção do governo. "Mais uma prova de que a privatização não resolve os problemas do transporte. Só piora", afirmou o presidente do sindicato, José Carlos de Andrade.



