Greve em 3 linhas da CPTM afeta quase 1 milhão de passageiros
Greve em 3 linhas da CPTM afeta quase 1 milhão

Uma greve paralisou três linhas da Companhia de Trens Metropolitanos (CPTM) na Grande São Paulo, deixando quase 1 milhão de passageiros sem transporte nesta terça-feira (4). A paralisação afetou as linhas 11, 12 e 13, que atendem a Zona Leste da capital e cidades da Região Metropolitana, causando superlotação no metrô, ônibus cheios e trânsito intenso.

Impacto imediato na rotina dos usuários

O garçom Rodrigo Celestino de Souza, que depende dos trens para chegar ao trabalho, relatou a dificuldade: “A noite toda trabalhando para chegar e ainda tem que procurar uma opção de um ônibus. Agora, vai ficar bem complicado, né? E tem filho em casa, a mulher vai trabalhar. Agora, às 5h, eu chego para ela ir trabalhar. Vai ficar muito complicado”.

As linhas afetadas passaram para a administração da concessionária Trivia Trens há duas semanas. Logo nos primeiros dias, os passageiros enfrentaram falhas no serviço, incluindo um incêndio em um vagão no terceiro dia de operação, que causou pânico entre os usuários.

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Contexto da concessão e a resposta do governo

Após os problemas, a CPTM retomou a operação das linhas por 90 dias, medida inédita desde o início do programa de concessões ferroviárias. O sindicato pede a preservação dos empregos. “Pedindo para o governo que ele nos dê a garantia de emprego para os 2,2 mil trabalhadores das linhas 11, 12 e 13, que são afetadas pela concessão dessas linhas”, afirmou Luiz Barbosa Neto Júnior, diretor-executivo do Sindicato Central do Brasil.

A CPTM informou que o sindicato não cumpriu a decisão judicial que determinava a manutenção de 80% dos funcionários nos horários de pico. O diretor-presidente da CPTM, Michael Cerqueira, declarou: “O governo sempre teve o diálogo aberto. A CPTM sempre conversou com o sindicato e buscou da maneira possível atender as reivindicações”.

Reações e desdobramentos

O governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos, usou as redes sociais para afirmar que a greve é resultado de “instrumentalização política para prejudicar os passageiros”. Na volta para casa, os trens circularam apenas em algumas estações e com intervalos maiores, e no início da noite os ferroviários decidiram manter a greve.

Segundo dados oficiais, quase 1 milhão de passageiros são afetados diariamente por essas linhas, que são vitais para a mobilidade na Zona Leste e nos municípios do entorno. A paralisação também impactou o trânsito, que registrou lentidão recorde em vários pontos da cidade.

O que dizem os especialistas

Analistas apontam que a concessão das linhas para a Trivia Trens é parte de um programa de modernização do sistema ferroviário, mas a transição tem sido conturbada. A falta de garantias trabalhistas é um dos principais pontos de tensão entre o sindicato e o governo, que prometeu não fazer demissões, mas não formalizou o compromisso em acordo coletivo.

Passageiros reclamam da falta de informação e da demora na normalização do serviço. Muitos relataram esperas de mais de uma hora nas estações, e outros optaram por trabalhar de casa ou buscar alternativas como caronas e aplicativos de transporte.

Próximos passos

A Justiça do Trabalho deve analisar a legalidade da greve e possíveis multas para o sindicato. Enquanto isso, a CPTM estuda medidas para minimizar o impacto, como a operação de trens extras nas linhas que não estão paralisadas. A expectativa é de que as negociações entre as partes sejam retomadas nos próximos dias, mas sem previsão de acordo imediato.

A situação reflete os desafios da mobilidade urbana em São Paulo, onde o transporte sobre trilhos é essencial para milhões de trabalhadores. A greve desta terça-feira (4) evidencia a fragilidade do sistema em momentos de crise e a necessidade de soluções duradouras para a infraestrutura ferroviária.

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