A greve dos ferroviários em São Paulo, iniciada na manhã desta terça-feira, 4 de agosto de 2026, provocou caos na estação Itaquera, que conecta a Linha 11 Coral da CPTM à Linha 3 Vermelha do Metrô. Passageiros relataram superlotação extrema, longos atrasos e falta de informações claras sobre a operação dos trens.
Impacto imediato na mobilidade urbana
Desde as primeiras horas do dia, a estação Itaquera, um dos principais pontos de integração entre trem e metrô da zona leste, registrou aglomerações muito acima do normal. Imagens feitas no local mostram plataformas lotadas e usuários tentando embarcar em composições que chegavam com intervalos irregulares. A falta de avisos sonoros e de funcionários para orientar o público aumentou a sensação de insegurança e confusão.
Segundo a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), a paralisação foi convocada pelo sindicato da categoria, que reivindica reajuste salarial e melhores condições de trabalho. A empresa informou que está operando com equipes reduzidas e que não há previsão para normalização do serviço.
Reação dos passageiros
Muitos passageiros chegaram a esperar mais de uma hora por um trem. A analista de sistemas Juliana Castro, 34 anos, que depende da Linha 11 para chegar ao trabalho no centro, descreveu a situação como “um verdadeiro caos”. “Não tem informação, não tem segurança, os trens estão cheios e a gente não sabe se vai conseguir chegar ao trabalho. É desumano”, desabafou.
Outro passageiro, o auxiliar de logística Marcos Souza, de 28 anos, tentava embarcar na estação Corinthians-Itaquera para ir à Penha. Ele contou que a plataforma estava tão lotada que era impossível se mover. “Estou há mais de uma hora aqui, já vi três trens passarem e não consegui entrar em nenhum. Muita gente está desistindo e indo de ônibus, mas também está tudo cheio”, afirmou.
Orientações oficiais
A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Mobilidade e Trânsito, recomendou que os passageiros evitem horários de pico e busquem rotas alternativas, como o sistema de ônibus municipal. No entanto, relatos de passageiros indicam que os terminais de ônibus também estão operando com superlotação.
A CPTM informou, em nota, que está em negociação com o sindicato e que espera um acordo em breve. A empresa também afirmou que vai reforçar a segurança nas estações e melhorar a comunicação com os usuários, mas não deu prazo para a volta da normalidade.
Contexto e histórico
Esta não é a primeira greve de ferroviários na região metropolitana de São Paulo. Em 2024, uma paralisação semelhante durou três dias e afetou mais de 1 milhão de passageiros por dia. Especialistas em mobilidade urbana alertam que a falta de investimento em transporte público e a precarização do trabalho são as principais causas de conflitos recorrentes.
A situação desta terça-feira evidencia a necessidade de um plano de contingência mais eficiente para garantir o direito de ir e vir da população, especialmente em momentos de greve.



