Greve de ônibus no Rio: rodoviários mantêm paralisação e cidade enfrenta caos
Greve de ônibus no Rio: rodoviários mantêm paralisação

A greve dos rodoviários no Rio de Janeiro completa seu segundo dia sem acordo entre a categoria e as empresas de ônibus. A paralisação, iniciada na segunda-feira (24), deve prosseguir pelo menos até o início da tarde desta terça-feira (25), quando está marcada uma assembleia após audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1), às 11h. Para minimizar os impactos, trens e metrô anunciaram operação reforçada. No primeiro dia de greve, os usuários enfrentaram dificuldades para se deslocar, especialmente antes do jogo Brasil x Japão pela Copa do Mundo.

Determinação judicial e frota reduzida

O TRT-1 determinou a circulação de ao menos 50% da frota de cada linha, mas, dos 1,8 mil ônibus previstos, apenas 900 foram às ruas, segundo o Rio Ônibus, sindicato das empresas. O descumprimento pode gerar multa diária de R$ 50 mil, aplicada tanto ao sindicato dos rodoviários quanto ao patronal. Ainda de acordo com o Rio Ônibus, 50 veículos foram vandalizados.

Reivindicações da categoria

A paralisação começou à meia-noite de segunda, após decisão da categoria na noite de domingo, afetando linhas municipais e o sistema BRT. Os trabalhadores reivindicam piso salarial de R$ 4 mil para motoristas de ônibus convencionais e R$ 5 mil para condutores de ônibus articulados, além de aumento no vale-alimentação e adoção da jornada 5x2 (cinco dias de trabalho por dois de folga). Garagens de empresas como a Redentor, em Jacarepaguá, ficaram lotadas no início da manhã.

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Prefeitura mobilizada, mas passageiros sofrem

O prefeito Eduardo Cavaliere afirmou à TV Globo que “o time inteiro” da prefeitura estava mobilizado desde a madrugada, atuando em terminais e garagens da Mobi-Rio para minimizar os impactos. Segundo ele, o trabalho garantiu 70% da frota do BRT em operação — planejado para um dia de ponto facultativo. Cavaliere destacou a mobilização de outros modais, como trem e metrô, para absorver passageiros: “Infelizmente, sempre vão haver, numa situação atípica como a do dia de hoje, os casos que acabam atrapalhando a vida da população. Nosso papel está aqui, fazendo todo o esforço, mobilizando toda a equipe, garantindo que a gente minimize isso e que o mais rápido possível, uma vez resolvida a questão dos sindicatos, que a gente possa voltar à normalidade na cidade.”

Na prática, porém, os passageiros enfrentaram longas esperas. No Terminal Gentileza, que integra BRT, linhas convencionais e VLT, as filas superavam 50 minutos. Os poucos ônibus que chegavam saíam lotados.

Relatos de passageiros

A fiscal de supermercado Telma da Costa, 61 anos, moradora da Penha, deveria ter iniciado o expediente às 7h, mas às 7h30 ainda aguardava o ônibus 606 (Gentileza–Engenho de Dentro). “Meu patrão já deve saber que as coisas estão difíceis. Já estou muito atrasada”, contou. Na Avenida Presidente Vargas, o segurança Antônio Benedito, 65 anos, esperava há 25 minutos pelo 472 (Triagem–Leme) após plantão noturno. “Vou ter que pegar três conduções se ele não passar”, planejava. O carregador da Ceasa Angelo Moreno, 45 anos, aguardava há mais de 30 minutos pelo 362 (Castelo–Honório Gurgel). “Se não conseguir, vou ter que pegar o metrô até Coelho Neto, que é mais caro. Meu chefe já está avisado”, disse.

Reações nas redes e perspectivas

Nas redes sociais, as reclamações começaram cedo. Uma usuária postou às 5h06 que esperava o BRT desde as 3h50: “Era melhor a Mobi-Rio ter soltado a nota de ontem dizendo que iria aderir a greve, desde 3h50 e nada!”. A volta para casa também foi difícil, com muitos recorrendo a carros por aplicativo, mas reclamando dos preços elevados. A categoria espera que a audiência desta terça-feira ponha fim à mobilização. A Mobi-Rio informou que o BRT operou nos horários de pico de segunda com 68% da frota planejada para ponto facultativo e que nesta terça o planejamento será de dia útil.

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