Ex-funcionários do Hospital de Clínicas de Icaraí, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio, realizaram um protesto na manhã desta terça-feira em frente à unidade de saúde, localizada na Rua Coronel Tamarindo, no bairro de Icaraí. Eles cobram o pagamento de salários atrasados e verbas rescisórias que estão pendentes desde março deste ano.
Protesto e reivindicações
De acordo com os manifestantes, cerca de 120 ex-funcionários estão sem receber seus direitos trabalhistas. Entre as principais reivindicações estão o pagamento do 13º salário de 2025, férias vencidas e a multa de 40% do FGTS. Muitos deles trabalharam no hospital por mais de dez anos e se sentem abandonados pela administração.
“A gente está aqui há meses tentando um acordo, mas a direção do hospital não apresenta uma solução concreta. Muitos colegas estão com dificuldades financeiras, alguns até perderam suas casas”, afirmou Maria Aparecida da Silva, ex-técnica de enfermagem, que trabalhou no local por 15 anos.
O hospital, que era referência em cirurgias cardíacas e atendimento de urgência, fechou as portas em março deste ano, alegando inviabilidade financeira. Desde então, os ex-funcionários buscam na Justiça do Trabalho o reconhecimento dos seus direitos, mas até agora não obtiveram resposta definitiva.
Situação do hospital
O Hospital de Clínicas de Icaraí funcionou por mais de 40 anos e chegou a ser um dos mais importantes da cidade. Com o fechamento, pacientes que dependiam do atendimento foram transferidos para outras unidades, como o Hospital Municipal Carlos Tortelly e o Hospital Estadual Azevedo Lima.
Em nota, a administração do hospital informou que está em processo de recuperação judicial e que busca negociar com os credores, incluindo os ex-funcionários. A direção afirmou que já apresentou um plano de pagamento parcelado, mas que depende da aprovação dos credores para ser colocado em prática.
“Estamos comprometidos em resolver a situação, mas precisamos de tempo e de um acordo viável. A recuperação judicial é o caminho para garantir que todos sejam pagos, ainda que de forma parcelada”, diz a nota.
Impacto na comunidade
A situação dos ex-funcionários reflete um problema maior na saúde de Niterói. Com o fechamento do hospital, a cidade perdeu uma importante unidade de média e alta complexidade, o que sobrecarregou outros serviços de saúde.
O Sindicato dos Auxiliares e Técnicos de Enfermagem do Rio de Janeiro (SATERJ) acompanha o caso e presta assistência jurídica aos trabalhadores. Segundo o sindicato, ações coletivas foram ajuizadas e audiências estão marcadas para as próximas semanas.
“A luta é justa. Esses profissionais dedicaram anos de serviço à população e agora estão desamparados. Vamos continuar pressionando até que todos recebam o que é devido”, declarou o presidente do SATERJ, José Carlos de Oliveira.
Enquanto isso, os ex-funcionários prometem manter o protesto em frente ao hospital até que haja uma solução. Eles planejam também realizar manifestações em outros pontos da cidade caso não haja avanço nas negociações.
Procurada, a Prefeitura de Niterói informou que acompanha a situação e que oferece suporte aos trabalhadores por meio da Secretaria Municipal de Trabalho e Renda, com intermediação para novas oportunidades de emprego.



