Quinze anos após a desativação da antiga rodoviária de Campo Grande, comerciantes e empresários que permaneceram na região convivem com queda no movimento, prejuízos financeiros e insegurança. O antigo terminal, que durante décadas impulsionou o comércio e atraiu milhares de pessoas diariamente, hoje simboliza o abandono de uma das áreas mais movimentadas da capital. A esperança de recuperação está na revitalização do prédio, iniciada em 2022, mas as obras, previstas para um ano, ainda não foram concluídas.
Memória de um passado próspero
Altino Rosa trabalha na região há 45 anos e lembra do período em que a antiga rodoviária concentrava grande parte da atividade comercial da cidade. "O comércio era aquecido, vendia muito. As empresas e o centro de Campo Grande compravam na antiga rodoviária porque era um acesso fácil, tinha estacionamento. Vendia muito bem, era um espetáculo", recorda.
Inaugurados na década de 1970, o terminal rodoviário e o centro comercial ao lado contribuíram para o desenvolvimento econômico, cultural e artístico de Campo Grande. O cenário começou a mudar em 2010, quando a rodoviária foi transferida para um novo endereço, na saída para São Paulo. Sem a circulação diária de passageiros, o comércio perdeu clientes, lojas fecharam e hotéis enfrentaram queda significativa na ocupação.
Insegurança e queda na ocupação hoteleira
Vitório Carrer, gerente de um hotel próximo ao antigo terminal, afirma que a taxa de ocupação caiu drasticamente desde a mudança. "Muitos clientes deixaram de vir porque se sentem inseguros por causa dos usuários que ficam na região. Em alguns quartos, até evitamos fazer reservas por causa dos barulhos e das confusões durante a noite", relata.
Além da redução no fluxo de consumidores, comerciantes apontam o aumento da população em situação de rua, o consumo de drogas e a falta de segurança como os principais fatores que afastam clientes.
Obras atrasadas e esperança de renovação
A revitalização da antiga rodoviária é vista como a principal oportunidade de recuperação da região. Porém, o atraso nas obras também afeta o condomínio comercial localizado ao lado do terminal. Apesar das dificuldades, alguns empresários continuam investindo. Cristóvão Lopes decidiu abrir uma lanchonete próxima à antiga rodoviária após trabalhar anos no setor de refrigeração. "Se eu continuo aqui, é porque acredito. Quem trabalha perto da antiga rodoviária gostaria de ver esse lugar transformado para melhor", afirma.
Para quem viveu o auge da região, a expectativa é que a revitalização devolva parte da importância que a antiga rodoviária teve para Campo Grande. "Até me arrepiei, porque a gente lembra de tudo que isso aqui já foi. O primeiro shopping de Campo Grande foi aqui. Nós queremos muito ver isso de volta", declara a comerciante Rosineide Lima.



