Microplásticos em girinos da Amazônia pela 1ª vez
Microplásticos em girinos da Amazônia pela 1ª vez (15.07.2026)

Uma pesquisa inédita da Universidade Federal do Pará (UFPA) revelou que girinos da Amazônia estão contaminados por microplásticos. Este é o primeiro estudo a documentar essa contaminação em filhotes de anuros — grupo que inclui sapos, rãs e pererecas — na região amazônica.

Os microplásticos são partículas de plástico com menos de 5 milímetros, produzidas nesse tamanho ou resultantes da degradação de objetos maiores. Vistos ao microscópio, assemelham-se a fiapos retorcidos ou pequenos canudos coloridos.

Estudo analisou 100 girinos

Os cientistas coletaram cem girinos da espécie Scinax x-signatus em cinco pontos de lagoas rasas formadas após chuvas no Parque Ecológico do Gunma, em Santa Bárbara do Pará, na região metropolitana de Belém. Os animais foram levados ao laboratório e analisados no microscópio, onde os especialistas detectaram microplásticos no organismo de todos os 100 girinos.

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"Os girinos se alimentam por sucção, então eles ingerem as partículas que estão presentes no ambiente aquático para acumularem energia suficiente para a metamorfose", explica a bióloga Fabrielle Barbosa de Araújo, autora principal do estudo. Ela destaca que esses seres passam por 46 fases de desenvolvimento, desde os ovos até a metamorfose para o corpo adulto.

Relação com peso corporal

Os cientistas observaram uma associação entre maior concentração de microplásticos e menor peso corporal dos girinos. "Alguns dados disponíveis na literatura científica indicam que os microplásticos podem causar desde alterações no próprio DNA até problemas no desenvolvimento e deformações no intestino e na boca desses animais", detalha Araújo. "Eles são organismos muito sensíveis, que sofrem muito quando há qualquer alteração no ambiente."

Pesquisas anteriores da UFPA já haviam encontrado microplásticos na pele, pulmões e sistema digestivo de sapos adultos.

Contaminação onipresente

"Nós sabemos que a contaminação por microplásticos é onipresente. Mas, às vezes, imaginamos que essa contaminação não chega em locais mais remotos, e é justamente o contrário", comenta Araújo. Os microplásticos se espalham pelo ambiente de diferentes formas: "Eles podem chegar pelos ventos e pela água da chuva", exemplifica. "A região amazônica é altamente contaminada de diversas formas, seja pelo descarte irregular de lixo, seja através do curso dos rios", complementa.

Impactos na saúde humana

Essa contaminação pode afetar também os seres humanos, pois as cadeias alimentares estão conectadas e esses compostos podem se acumular de um animal a outro até chegar à mesa. "Outros organismos, como peixes e camarões, que nós consumimos, também estão contaminados com eles", pontua Araújo.

Pesquisas recentes encontraram microplásticos em várias partes do organismo humano, como sangue, placenta, pulmões, fígado e rins. Alguns estudos sugerem associação com inflamação, alterações no sistema imunológico, alterações metabólicas e lesões celulares, mas ainda faltam evidências sólidas que liguem microplásticos a doenças cardiovasculares, pulmonares ou câncer.

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