Eleitorado de JF cai 5,6% em 2026, mas população cresce 5%
Eleitorado de JF cai 5,6% em 2026, mas população cresce 5%

Quase 400 mil eleitores estão aptos a votar em Juiz de Fora nas Eleições 2026, mas o número representa uma queda de 5,6% em relação ao pleito de 2022, quando o colégio eleitoral atingiu o recorde histórico de 418,2 mil. Enquanto isso, a população estimada da cidade cresceu 5% no mesmo período, chegando a 567,7 mil habitantes, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Inversão de tendências entre população e eleitorado

Os dados revelam uma inversão de movimentos nas duas últimas eleições presidenciais. Em 2022, o eleitorado atingiu o maior patamar da série histórica, mesmo com a população estimada em queda. Já em 2026, a população voltou a crescer, mas o eleitorado recuou para 394,9 mil votantes, cerca de 23 mil a menos que no pleito anterior.

O sociólogo e cientista político Gustavo Paccelli explica que população e eleitorado nem sempre caminham na mesma direção. "População é uma medida demográfica. O eleitorado é um cadastro administrativo da Justiça Eleitoral. Uma coisa está ligada à demografia e a outra à burocracia eleitoral", afirmou.

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Quase 7 em cada 10 moradores são eleitores

Em 1989, ano da primeira votação direta após a Ditadura Militar, Juiz de Fora tinha 235.765 eleitores e população estimada em 378.533 habitantes, o que significava que 62,3% da população era formada por eleitores. Agora, em 2026, são 394.921 eleitores para 567.730 habitantes, representando 69,6% da população. Ou seja, em 1989, 6 a cada 10 moradores podiam votar; em 2026, são quase 7 a cada 10.

Juiz de Fora permanece como o quarto maior colégio eleitoral de Minas Gerais, atrás de Belo Horizonte, Uberlândia e Contagem.

O que explica o recuo de eleitores?

O crescimento da população não significa, necessariamente, aumento do eleitorado. Isso ocorre porque a evolução dos dois indicadores depende de fatores diferentes, como migração, envelhecimento demográfico, transferência de título para outros municípios, cancelamento de inscrições e regularização cadastral pela Justiça Eleitoral.

Conforme Paccelli, Juiz de Fora abriga uma população marcada pela mobilidade. Referência regional em ensino superior, a cidade atrai estudantes e moradores temporários que aparecem nas estatísticas demográficas, mas nem sempre integram o eleitorado local por manterem vínculos eleitorais em outros municípios. "Tem muita gente que mora em Juiz de Fora, mas mantém o registro eleitoral em outra cidade. É uma população que aparece na estatística demográfica, mas não necessariamente no eleitorado local", afirmou.

Além disso, revisões cadastrais da Justiça Eleitoral podem resultar no cancelamento de títulos de pessoas que deixaram de comparecer às urnas e não regularizaram a situação. Em anos não eleitorais, a Justiça Eleitoral verifica no cadastro quais eleitores não votaram, não justificaram nem pagaram a multa nos três últimos pleitos. Essa verificação, chamada de depuração, implica o cancelamento do título, exceto nos casos em que o voto é facultativo. A situação pode ser regularizada até cinco meses antes de uma eleição.

Comparação entre 2022 e 2026 exige cautela

Segundo o especialista, a comparação entre 2022 e 2026 exige cautela porque os dois anos foram influenciados por fatores excepcionais. Em 2022, o eleitorado foi inflado pela suspensão dos cancelamentos de títulos que haviam ocorrido durante a revisão biométrica. "Juiz de Fora foi o município mineiro que mais perdeu eleitores, em números absolutos, durante a revisão biométrica: cerca de 60 mil títulos cancelados. Em 2022, o TSE suspendeu os efeitos desses cancelamentos por causa da pandemia e essas pessoas voltaram para o cadastro de uma vez só", disse.

Já em 2026, ocorreu o movimento inverso: os cancelamentos voltaram a ser considerados, incluindo títulos de quem deixou de votar e não justificou a ausência em três eleições consecutivas. "Só em 2025 havia mais de 9 mil juiz-foranos em situação de cancelamento por ausência em três eleições seguidas", explicou.

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Paccelli também destacou que a redução populacional registrada em 2022, quando foi realizado o último Censo, apenas ajusta estimativas super projetadas dos anos anteriores, além de refletir consequências da pandemia de Covid-19. "Nem em 2022 chegou gente nem em 2026 foi gente embora. O que houve foram ajustes estatísticos e mudanças no cadastro eleitoral. E a população sobe em 2026 porque a gente volta a trabalhar com estimativa projetada em cima da base de 2022", resumiu.

Eleitorado estagnado há 12 anos

Conforme Paccelli, o dado mais relevante não é a comparação entre 2022 e 2026, mas o fato de o eleitorado atual ser praticamente o mesmo de 2014. Em 2014, eram 392.619 eleitores; em 2018, 397.841; e em 2026, 394.921. "O eleitorado de 2026 é praticamente o mesmo de 2014. São 12 anos de estagnação do número de eleitores. Uma das explicações é o envelhecimento e a queda da natalidade, que reduz a entrada de eleitor novo. E aí você tem também alguma saída de jovens já formados, que voltam para os municípios de origem, que acaba tendo uma influência nesse quadro."

Ele também comparou Juiz de Fora com Uberlândia, ambos polos universitários. "Comparativamente, você vai ver que Uberlândia, por exemplo, tem um desenvolvimento econômico e um Produto Interno Bruto (PIB) superior a Juiz de Fora. Isso acaba atraindo mais pessoas, e essas pessoas fixam residências. Ao fixar residência, logo você tem também uma transferência de zona eleitoral", explicou. O PIB oficial por municípios do IBGE, com último dado de 2023, mostra que Juiz de Fora tem a metade do resultado de Uberlândia: Uberlândia tem R$ 51 bilhões ou R$ 71,6 mil per capita, enquanto Juiz de Fora tem R$ 23,2 bilhões ou R$ 43 mil per capita.

Estrutura para quase 400 mil eleitores

Para garantir o funcionamento das eleições de 2026, a Justiça Eleitoral montou uma estrutura com 4 zonas eleitorais e 193 locais de votação. O Colégio Jesuítas é o local que reúne mais eleitores, com 8.308 votantes. Outros grandes locais incluem a Escola Municipal Presidente Tancredo Neves (7.743), a Escola Estadual Fernando Lobo (5.965), o Colégio Stella Matutina (5.042), a Escola Municipal Dr. Ademar Rezende de Andrade (4.954), a Universidade Salgado de Oliveira (4.954), o Instituto Granbery (4.939), entre outros.