Por trás de cada obra e serviço público em seu bairro, existe um processo complexo que muitas vezes passa despercebido. O engenheiro Eduardo Campos Sigilião, especialista em gestão de projetos, ajuda a explicar esse universo, desde o planejamento até a execução final.
O ciclo de vida de uma obra pública
Obras como pavimentação, construção de escolas ou redes de esgoto seguem um ciclo rigoroso. Segundo Eduardo Campos Sigilião, tudo começa com a identificação da necessidade pela comunidade ou pelo poder público. Em seguida, são realizados estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental. "Cada etapa é crucial para garantir que o recurso público seja bem aplicado", afirma o engenheiro.
Após a aprovação, inicia-se a fase de licitação, que segue a Lei 8.666/93. Dados do Tribunal de Contas da União (TCU) indicam que, em 2025, mais de 70% das obras públicas no Brasil enfrentaram atrasos ou sobrecustos, muitas vezes por falhas no planejamento inicial. Sigilião ressalta que "um projeto bem elaborado reduz riscos e evita desperdícios".
Serviços contínuos: manutenção e operação
Além das obras, serviços como coleta de lixo, iluminação pública e limpeza urbana exigem contratos de manutenção. "A população só percebe quando o serviço falha", comenta Sigilião. Ele explica que esses contratos são renovados periodicamente e devem incluir indicadores de desempenho. Em 2025, a prefeitura de São Paulo investiu R$ 2,5 bilhões em serviços urbanos, segundo a Secretaria de Infraestrutura.
O engenheiro destaca a importância da participação social: "O cidadão pode e deve acompanhar as obras por meio de portais de transparência e audiências públicas". Ele cita o exemplo de Belo Horizonte, onde o aplicativo "BH Obras" permite monitorar em tempo real o andamento dos projetos.
Desafios e soluções na gestão pública
Entre os principais desafios estão a burocracia, a falta de recursos e a corrupção. Eduardo Campos Sigilião defende o uso de tecnologias como BIM (Modelagem da Informação da Construção) para integrar projetos e reduzir erros. "A digitalização dos processos pode economizar até 20% dos custos", calcula.
Outro ponto é a capacitação de servidores. "Investir em treinamento é tão importante quanto investir em concreto", afirma. Ele lembra que, em 2024, o governo federal lançou o programa "Obras Eficientes", que já capacitou mais de 5 mil gestores municipais.
O papel do engenheiro na sociedade
Para Sigilião, o engenheiro tem um papel social fundamental. "Não construímos apenas prédios e estradas; construímos qualidade de vida". Ele ressalta que a engenharia brasileira é reconhecida internacionalmente, mas precisa de mais investimento em inovação.
Por fim, o especialista deixa uma mensagem: "Entender o processo por trás das obras é o primeiro passo para cobrar mais eficiência e transparência. Cada cidadão é um fiscal em potencial". Com planejamento e participação, é possível transformar a realidade dos bairros brasileiros.



