Em 2001, Lusinete Bispo Araújo, hoje com 50 anos, foi aprovada no concurso público da Polícia Militar do Tocantins, encerrando uma trajetória de mais de uma década como empregada doméstica, iniciada quando tinha apenas 12 anos. Em abril de 2023, ela conquistou o posto de 1ª tenente da corporação, simbolizando uma evolução marcada por disciplina e persistência.
Infância e início no trabalho doméstico
Filha mais velha de sete irmãos, Lusinete começou a trabalhar aos 12 anos como babá e, posteriormente, como empregada doméstica para ajudar nas despesas da família. Aos 17, mudou-se para Brasília, onde trabalhou por seis anos como doméstica, morando na casa dos empregadores. A rotina exigia dedicação integral, mas ela conciliava as tarefas com os estudos, estudando à noite e nos fins de semana. "Decidi que precisaria passar em um concurso público para garantir minha estabilidade. Fiz um cursinho nos finais de semana e estudava sozinha em casa", conta Lusinete.
Preparação para o concurso
Ao retornar ao Tocantins, já morando em Palmas, Lusinete manteve a rotina de estudos, frequentando cursinhos aos fins de semana. Aos 26 anos, em 2001, após um longo período dedicado ao trabalho doméstico, passou no concurso da Polícia Militar e iniciou uma nova fase. "Só deixei essa profissão depois que ingressei no concurso da Polícia Militar", afirma.
Contexto histórico do trabalho doméstico
A história de Lusinete reflete uma realidade histórica no Brasil. Segundo a socióloga Solange Nascimento, da TV Anhanguera, o modelo em que mulheres deixam suas famílias para morar na casa de empregadores está enraizado no período escravagista. "Com relação à relação de trabalho, principalmente quando a gente fala do trabalho doméstico, ele está enraizado no período escravagista ainda", explica. Durante décadas, muitas meninas e mulheres tiveram suas vidas pessoais e profissionais misturadas. A especialista destaca que políticas de acesso à educação e cotas no serviço público ampliaram oportunidades de mobilidade social para grupos historicamente excluídos.
Conquista e legado
A trajetória de Lusinete, que iniciou como babá e doméstica, agora a coloca como 1ª tenente da PM, cargo conquistado após mais de duas décadas de serviço. "Lutei e venci", resume ela, inspirando outros que buscam ascensão social por meio do estudo e da dedicação.



