Amigas de Bauru trocam cartas por 15 anos e mantêm amizade de quase 30 anos
Amigas trocam cartas por 15 anos e mantêm amizade por 30 anos

Amigas de Bauru (SP) trocam cartas há 15 anos e mantêm uma amizade que já dura quase três décadas. Amanda Siqueira de Araújo e Melina Bellini começaram a trocar mensagens escritas em 1999, quando tinham apenas 10 anos e estudavam juntas. Nesta segunda-feira (20), é comemorado o Dia do Amigo.

Amizade que começou na escola

Na época, Melina mudou de escola, mas a distância entre as duas ainda era pequena, já que continuavam morando na mesma cidade. Mesmo assim, as amigas decidiram criar uma forma diferente de manter o contato por meio de cartas enviadas pelo correio. “Quando eu mudei de escola, a gente ficou muito preocupada, porque eu falei: ‘e agora?’ Parecia que ia mudar de país. A comunicação [entre a gente] era muito importante. E aí a gente falou: ‘vamos escrever cartas’. Foi assim que a gente começou”, conta Melina, que é cientista da computação.

Cartas como alternativa ao telefone

Segundo Amanda, que trabalha hoje como jornalista, as ligações telefônicas na época dependiam da autorização dos pais e tinham um custo alto. Por isso, as duas pré-adolescentes escolheram escrever uma para a outra, sendo que os pais delas ficavam encarregados de levar e buscar as cartas no correio. “Nossos pais, no começo, ajudaram muito”, conta Melina. “E eu lembro muito, dos meus pais contentes quando chegavam as cartas da Mel [...] Mesmo quando a gente começou a ter a tecnologia, eles incentivavam também a gente a continuar com as cartas”, acrescenta Amanda.

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15 anos de correspondência

Durante 15 anos, Amanda e Melina se comunicaram pelas cartas. Com a chegada da fase adulta, as duas passaram a se encontrar pessoalmente com mais frequência, mas nunca deixaram completamente o papel de lado, o que sempre deixou a relação íntima, mesmo sem a presença física. “Eu me sentia muito próxima dela. Eu sentia como se eu estivesse conversando com ela ali na minha frente. E era uma amizade em que eu não precisava ficar fingindo”, afirma Amanda.

Cartas guardavam histórias da adolescência

Inicialmente, as cartas eram enviadas uma vez por mês. Por isso, as mensagens precisavam resumir como foi o período. Os assuntos eram variados e acompanhavam as fases da vida das duas: desde novidades da rotina até momentos marcantes da adolescência. “O que eu acho mais legal é que ali tem muito da nossa vida, né? Tem o primeiro beijo, tem o primeiro sofrimento por alguma paquera”, relembra a jornalista.

Além das atualizações, elas também se presenteavam durante a troca de mensagens. Enquanto a jornalista era fã do cantor Felipe Dylon, a bióloga acompanhava Avril Lavigne. “Quando eu via o pôster da Avril, eu mandava pra ela e vice-versa”, revela Amanda.

Decoração e criatividade nas cartas

Melina conta que as cartas também eram decoradas, ainda mais com o apoio de revistas adolescentes que eram febre nos anos 2000. “Eu tinha várias revistas. Eu pegava as páginas e grudava na carta”, descreve.

Amizade atravessa fronteiras

A dinâmica de cartas diminuiu após Melina se mudar para o Canadá em 2015, mas a amizade permaneceu, inclusive com alguns reencontros neste período de maior distanciamento geográfico. Para as duas, o segredo para manter o vínculo por tantos anos está na aceitação e na liberdade de cada uma seguir seu próprio caminho. “Eu acho que é muito importante você aceitar como a pessoa é. Então, um amigo, ele tem que ser aquele lugar confortável, aquele porto seguro. Eu não posso fingir que eu sou diferente pra ela gostar de mim. Nunca existiu isso”, afirma Amanda.

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