Em convenção estadual realizada neste sábado, o PT oficializou a candidatura do governador Jerônimo Rodrigues à reeleição na Bahia, em evento com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A chapa governista foi confirmada com o vice-governador Geraldo Júnior (MDB) como candidato a vice-governador e com Rui Costa (PT), ex-ministro da Casa Civil, e Jaques Wagner (PT), ex-líder do governo no Senado, como candidatos ao Senado.
Lula pede votos e critica situação de Salvador
Durante a convenção, Lula pediu votos para a chapa e se referiu a Jaques Wagner pelo apelido de “galego”. Em discurso, o presidente afirmou que o PT, que governa a Bahia há 20 anos, precisa conquistar o comando de Salvador. A capital baiana foi administrada por ACM Neto (União) até 2020, principal adversário de Jerônimo na disputa pelo governo estadual, e está, nas palavras do líder petista, “meio largada”. Lula também chamou o Senado de “muito ruim” e defendeu o fim da escala 6×1, de acordo com o evento.
Jerônimo, por sua vez, elogiou o presidente durante a convenção e afirmou que o governo Lula “não fechou portas” para quem não votou na chapa. O governador classificou Lula como “embaixador do Brasil no mundo”.
Wagner, um dos políticos mais próximos de Lula, deixou a liderança do governo no Senado em junho, depois de ser alvo da 9ª fase da operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga um esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.
Pesquisa aponta empate técnico com ACM Neto
A convenção ocorreu poucos dias depois de a pesquisa Genial/Quaest, divulgada na quarta-feira, mostrar equilíbrio na disputa pelo governo baiano. No levantamento, ACM Neto aparece numericamente à frente, com 39% das intenções de voto, contra 38% de Jerônimo. Com margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos, os dois estão tecnicamente empatados. Em um eventual segundo turno, ACM Neto registra 43% e Jerônimo 39%, também em empate técnico.
Apesar do equilíbrio na intenção de voto, a avaliação do governo segue favorável ao petista. Segundo a Genial/Quaest, 57% dos baianos aprovam a gestão de Jerônimo, enquanto 34% a desaprovam. A avaliação positiva do governo é de 37%, ante 23% de negativa e 35% de regular.
Avaliação, alternância e estratégia com Lula
A pesquisa também mostra que 52% dos entrevistados consideram que Jerônimo merece ser reeleito, enquanto 41% defendem a alternância no comando do estado. Sobre o que esperar do próximo governo, 43% afirmam que ele deve promover mudanças pontuais na administração atual, 33% avaliam que é preciso mudar completamente o rumo da gestão e 21% defendem a continuidade do trabalho.
Na estratégia eleitoral, o PT aposta na forte associação entre Jerônimo e Lula. O levantamento aponta que 47% dos eleitores preferem que o próximo governador seja aliado de Lula, ante 14% que desejam um aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro. Além disso, 56% identificam Jerônimo como o candidato apoiado por Lula, enquanto 29% associam ACM Neto a Bolsonaro.
Disputa ao Senado tem Rui Costa na liderança
Na corrida pelo Senado, oficializada na mesma convenção, Rui Costa lidera as intenções de voto, com 22%, seguido por Jaques Wagner, com 16%. Na sequência aparecem Angelo Coronel (Republicanos) e João Roma (PL), ambos com 6%. O levantamento ainda indica alto índice de indefinição: 22% dos eleitores estão indecisos e 24% afirmam que pretendem votar em branco, nulo ou não comparecer às urnas.
A pesquisa Genial/Quaest ouviu 1.200 eleitores em 61 municípios baianos entre os dias 23 e 27 de julho. O nível de confiança é de 95%, e a margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento foi registrado na Justiça Eleitoral sob os números BA-02331/2026 e BR-05856/2026.
Ataque coordenado nas redes sociais
Horas antes da convenção, Jerônimo, Wagner e Rui Costa afirmaram ter sido alvo de um ataque coordenado nas redes sociais. Segundo a federação partidária liderada pelo PT, os perfis dos três políticos no Instagram passaram a receber, a partir de 1h30 deste sábado, um volume incomum de seguidores falsos, supostamente de origem asiática.
De acordo com a legenda, mais de 70 mil contas passaram a seguir os perfis em cerca de cinco horas. O partido registrou boletim de ocorrência e afirmou que a ação teria como objetivo criar a narrativa de que os petistas compram seguidores, além de tentar provocar a suspensão das contas pela Meta. O crescimento artificial de seguidores viola as políticas da plataforma.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Rui Costa classificou o episódio como um “ataque” e disse que o caso já foi comunicado às autoridades.



