Ponte da Rota Bioceânica é concluída; acesso só em 2027
Ponte da Rota Bioceânica concluída; acesso em 2027

A concretagem do último segmento da Ponte da Rota Bioceânica foi concluída na semana passada, conectando fisicamente Brasil e Paraguai. A estrutura de 1.294 metros sobre o Rio Paraguai liga Porto Murtinho (MS) a Carmelo Peralta, no Paraguai. O "beijo das aduelas", como é chamada a união das duas seções, finaliza a construção do tabuleiro. No entanto, a abertura para o tráfego só deve ocorrer em 2027, após a conclusão das obras de acesso às cabeceiras.

Detalhes técnicos e ajustes finais

Apesar da união das estruturas, ajustes técnicos ainda são necessários. O engenheiro René Gómez, superintendente do Consórcio Binacional Paraguai-Brasil (Pybra), explicou: “É um momento importante e delicado, pois estamos lidando com a conexão final do projeto e ainda temos trabalhos técnicos pendentes. Precisamos realizar uma revisão topográfica completa utilizando os sensores instalados para medir a tensão nos estais e determinar quais cabos precisam de maior tensionamento ou quais pontos precisam ser elevados.”

O projetista italiano Mario de Miranda acompanhou a fase de união definitiva. “Com a nova travessia internacional estruturalmente conectada, vamos prosseguir com a pavimentação, os acabamentos, a instalação de sistemas de segurança e outras obras complementares”, afirmou.

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Comparação com outras pontes Brasil-Paraguai

A nova ponte é a terceira e maior ligação entre os dois países. A Ponte da Amizade (Foz do Iguaçu–Ciudad del Este) tem 552 metros; a Ponte da Integração (Foz do Iguaçu–Presidente Franco), inaugurada em dezembro de 2025, mede 760 metros. Já a Ponte da Rota Bioceânica tem 1.294 metros de extensão, 20 metros de largura e altura de 37 metros no vão central, com vão livre de 350 metros.

Corredor bioceânico e impacto econômico

A ponte integra o Corredor Rodoviário de Capricórnio, que ligará os oceanos Atlântico e Pacífico por terra, conectando Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. Serão cerca de 3,5 mil km de rodovias, dos portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR) a Antofagasta (Chile). A rota deve reduzir em 9,7 mil km a distância marítima para a Ásia, encurtando em 23% o tempo de viagem para a China (cerca de 12 dias a menos), segundo o Ministério da Infraestrutura.

A construção consumiu 60 mil m³ de concreto (equivalente a um estádio como o Maracanã), 52 blocos de fundação, 302 estacas, 29 pilares (o mais alto com 125 m) e 176 vigas pré-fabricadas. O custo foi de aproximadamente R$ 500 milhões, financiados pela Itaipu Binacional e executados pelo Consórcio Pybra (Tecnoedil, Cidade e Paulitec Construções).

Acessos e cronograma

O acesso brasileiro, pela BR-267/MS, é construído pelo DNIT com investimento de R$ 472 milhões. São 13,1 km de nova rodovia, dos quais 10,1 km já receberam terraplanagem. Mais de 95% das galerias, bueiros e passagens de fauna estão concluídos. Obras de arte incluem um viaduto, a ponte sobre o Rio Amonguijá e cinco pontes de vazantes. A previsão de conclusão é início do segundo semestre de 2027.

No lado paraguaio, a conexão com a Rota PY15 está quase concluída, com 3,8 km de pavimentação praticamente prontos. A ponte fica a cerca de 5 km de Carmelo Peralta, cidade com aproximadamente 5 mil habitantes.

Histórico e impactos socioambientais

O projeto do corredor bioceânico foi lançado em 2000 na cúpula de presidentes da América do Sul. Em 2015, a Carta de Assunção firmou o compromisso entre Brasil, Paraguai, Chile e Argentina. A previsão inicial de conclusão da ponte era 2022, mas atrasos políticos e a pandemia adiaram as obras.

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul monitora os impactos socioambientais por meio do Projeto GPS 67, que aponta que 23 municípios do estado (cerca de 30%) sentirão efeitos positivos e negativos, como aumento populacional e maior movimentação turística e econômica.

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