Nova York propõe ampliar programa de poupança educacional para crianças de baixa renda
NYC quer ampliar poupança educacional para crianças pobres

A cidade de Nova York discute a ampliação de um programa de incentivo à educação que prevê depósitos de até US$ 3 mil para crianças de famílias de baixa renda. A proposta, apresentada pela Câmara Municipal, expande o NYC Kids Rise, iniciativa que cria contas de investimento para estudantes, com objetivo semelhante ao do Pé-de-Meia brasileiro, que visa estimular a permanência na educação e ampliar oportunidades futuras.

Detalhes da proposta

O projeto prevê um aporte inicial de até US$ 3 mil para crianças de famílias de baixa renda matriculadas na pré-escola pública. Para os demais estudantes elegíveis, o depósito seria de US$ 1 mil. As contas seriam abertas automaticamente, sem necessidade de adesão por parte dos responsáveis.

A medida representa uma expansão significativa do programa NYC Kids Rise, criado em caráter piloto em 2017 e posteriormente ampliado para toda a rede pública da cidade. Atualmente, cada criança recebe um depósito inicial de US$ 100.

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Como funciona o programa

Diferentemente de bolsas ou benefícios pagos periodicamente, o modelo adotado em Nova York funciona como uma poupança de longo prazo. O valor é depositado uma única vez no momento da criação da conta e permanece investido durante anos. Os recursos podem se valorizar com os rendimentos financeiros e também receber contribuições adicionais feitas por familiares, empresas, organizações comunitárias ou doadores.

Segundo estimativas da administração municipal, um depósito inicial de US$ 3 mil poderia alcançar aproximadamente US$ 8,5 mil quando o estudante ingressar no ensino superior, mesmo sem novos aportes ao longo do período. Atualmente, o NYC Kids Rise já reúne mais de 380 mil crianças participantes e acumula mais de US$ 85 milhões em ativos destinados à educação.

Semelhanças com o Pé-de-Meia

Embora tenham estruturas diferentes, o programa americano compartilha objetivos semelhantes aos do Pé-de-Meia, criado pelo governo federal brasileiro. Ambos buscam reduzir desigualdades educacionais por meio de incentivos financeiros vinculados à trajetória escolar dos estudantes. A lógica é criar condições para que jovens de famílias de menor renda tenham maiores chances de concluir seus estudos e acessar oportunidades futuras.

No Brasil, o Pé-de-Meia realiza depósitos ao longo da vida escolar para estudantes do ensino médio da rede pública que cumprem critérios de frequência e conclusão das etapas de ensino. Já em Nova York, o foco está na formação antecipada de patrimônio. O recurso é depositado quando a criança ainda está na primeira infância e permanece aplicado até o momento em que poderá ser utilizado para fins educacionais.

Quanto custará a ampliação

O custo anual passaria dos atuais US$ 12,7 milhões para cerca de US$ 180 milhões. Ainda assim, o valor representa uma parcela pequena diante do orçamento municipal, estimado em aproximadamente US$ 125 bilhões. A presidente da Câmara Municipal de Nova York, Julie Menin, defendeu a ampliação afirmando que a iniciativa pode ajudar a enfrentar desigualdades econômicas e ampliar o acesso ao ensino superior.

“Se realmente queremos combater a desigualdade de renda e enfrentar a crise de acessibilidade financeira, precisamos fazer um investimento muito maior para essas crianças”, declarou. O projeto depende do aval do prefeito Zohran Mamdani e da inclusão dos recursos necessários no orçamento da cidade. As negociações entre a prefeitura e a Câmara Municipal seguem em andamento.

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