As terras onde viveu o indígena conhecido como 'Índio Tanaru' ou 'Índio do Buraco', último sobrevivente de seu povo que viveu isolado por quase 30 anos em Rondônia, foram transformadas em parque estadual. O decreto foi publicado no Diário Oficial da União na quinta-feira (11). Até então, a área era alvo de disputa judicial, reivindicada por fazendeiros. O decreto permite a desapropriação de propriedades privadas dentro dos limites do parque e prevê o uso das Forças Armadas, se necessário.
Características do novo parque
As terras possuem cerca de 8 mil hectares e se estendem por quatro municípios de Rondônia: Chupinguaia, Corumbiara, Parecis e Pimenteiras do Oeste. A área passa a se chamar Parque Nacional Povos Indígenas do Rio Tanaru. Um dos objetivos da criação da unidade é preservar a memória do 'Índio do Buraco' e de seu povo, considerado extinto, protegendo os sítios arqueológicos e áreas de relevância histórica.
Desde que o indígena foi visto pela primeira vez, mais de 50 incursões de monitoramento foram realizadas pela Funai na floresta. Segundo o órgão, ao longo de 26 anos, 53 habitações do 'Índio Tanaru' foram encontradas, todas seguindo o mesmo padrão arquitetônico: uma única porta de entrada/saída e sempre com um buraco no interior. Daí surgiu seu nome.
Proteção ambiental e gestão
O documento de criação também cita a relevância de proteger o meio ambiente. O parque fica em uma área de transição entre os biomas Amazônia e Cerrado, com presença de espécies da fauna ameaçadas de extinção, como o macaco-aranha, o macaco-barrigudo e a onça-pintada. Além disso, o local possui zonas de recarga do Aquífero Parecis, uma das maiores reservas de água subterrânea do Brasil.
O decreto estabelece ainda a criação de uma zona de amortecimento, uma área ao redor do parque com regras especiais para proteger a unidade de conservação de impactos externos, principalmente da ação humana. A gestão ficará sob responsabilidade do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em parceria com a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).
Quem era o Índio do Buraco?
Em junho de 1996, o 'Índio do Buraco', também conhecido como Tanaru, foi visto pela primeira vez por homens brancos em Rondônia. Vinte e seis anos depois daquele 'contato', o indígena foi encontrado morto em seu território, em agosto de 2022. O homem, conhecido por viver sozinho e isolado na densa floresta Amazônica, morreu como o último de seu povo, sem que sua etnia e sua língua fossem descobertas. Ele resistiu ao contato com o homem branco até sua morte.
O 'Índio do Buraco', apesar de ter vivido isolado por mais de 30 anos, nem sempre esteve só. Segundo a Funai, os últimos membros do seu povo foram mortos em 1995. Ele recebeu o nome 'Índio do Buraco' porque fazia escavações em suas palhoças. Ninguém chegou a descobrir o motivo e real utilidade delas.



