TCA reinaugurado após três anos de reformas e incêndios históricos
TCA reinaugurado após reformas e incêndios históricos

O Teatro Castro Alves (TCA), um dos principais equipamentos culturais da Bahia, foi reinaugurado nesta quarta-feira (1º) após mais de três anos de reformas. A Sala Principal passou por uma recuperação completa, e novos espaços foram abertos ao público. As obras foram motivadas por um incêndio que atingiu o telhado da Sala Principal em 2023, mas o fogo não foi um evento isolado na história do teatro.

Três incêndios marcam a trajetória do TCA

O primeiro incêndio ocorreu na madrugada de 9 de julho de 1958, apenas cinco dias antes da inauguração prevista. Na ocasião, toda a estrutura do teatro foi destruída, com exceção da Concha Acústica. O então governador Antônio Balbino, que havia proposto a criação do teatro quando era deputado, determinou a retomada imediata das obras. Em 14 de julho, data que marcaria a inauguração, foi realizada uma missa campal que deu início aos trabalhos de recuperação. O TCA só foi entregue à população baiana nove anos depois, em 4 de março de 1967, já durante a ditadura militar e sob o governo de Antônio Lomanto Júnior.

Em janeiro de 2023, um novo incêndio atingiu o teatro. O fogo começou na parte externa do telhado e não alcançou as dependências internas nem a Concha Acústica. Não houve feridos, e o combate às chamas durou 12 horas. Segundo laudo da polícia, o incêndio não foi criminoso. Foi esse evento que levou à reforma agora concluída. Durante as obras, em 2025, um princípio de incêndio foi registrado no telhado do prédio central. A assessoria de comunicação do TCA informou que brigadistas da empresa Sian, responsável pela requalificação, controlaram o fogo rapidamente; o incidente começou após um serviço executado na estrutura de cobertura.

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Arquitetura modernista e tombamento federal

O TCA é um ícone da arquitetura moderna e símbolo cultural da Bahia. O projeto é dos arquitetos José Bina Fonyat Filho e Humberto Lemos, que receberam menção honrosa na 1ª Bienal de Artes Plásticas de São Paulo pela “arquitetura moderna e ousada” do teatro. O movimento modernista, que marcou o século XX, priorizou a simplicidade e a racionalidade nas construções; no Brasil, Oscar Niemeyer é o nome mais conhecido.

Em 2014, o TCA foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Segundo o governo estadual, tornou-se o segundo teatro moderno a ser declarado patrimônio nacional – o primeiro foi o Teatro Nacional, em Brasília. Na Bahia, foi o segundo exemplar da arquitetura moderna tombado pelo Iphan; o Elevador Lacerda já havia recebido o título em 2008. Com o tombamento, qualquer alteração na arquitetura do TCA precisa ser aprovada pelo Iphan. Na reforma recente, por exemplo, foi necessário encomendar pastilhas para a fachada que reproduzissem fielmente o material usado nos anos 1950.

Novos espaços e impacto cultural

A reinauguração do TCA marca a devolução à sociedade baiana de um espaço totalmente revitalizado. Além da Sala Principal reformada, o teatro ganhou novos ambientes para o público, ampliando sua capacidade de receber espetáculos e visitantes. A reforma, orçada em valores não divulgados, buscou preservar as características originais do projeto modernista, ao mesmo tempo em que atualizou a infraestrutura para atender às normas contemporâneas de segurança e acessibilidade.

O Teatro Castro Alves é um dos mais importantes palcos do Brasil, tendo recebido artistas nacionais e internacionais ao longo de suas seis décadas de história. Sua reabertura é vista como um marco para a cultura baiana e para o turismo de Salvador.

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