Em um desdobramento do ataque a tiros que chocou o município de Juruti, no oeste do Pará, a única sobrevivente, Francenilda Santos, foi transferida em estado grave para um hospital em Belém. Ela já passou por cirurgia e permanece internada, em processo de recuperação. O caso, ocorrido na noite da última sexta-feira (31), deixou três mortos, incluindo uma criança de 10 anos.
Crime e autor
O autor dos disparos, o vigilante Willame de Lira Lopes, de 35 anos, invadiu a residência da ex-companheira, Frandeilza de Sousa dos Santos, e abriu fogo contra os presentes. O atual companheiro dela, Wellington Sousa dos Reis, morreu no local. Em seguida, o vigilante atirou contra Frandeilza e contra a filha do casal, Maria Luz de Sousa Lopes, de 10 anos. A bala atingiu a cabeça da criança, que chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos. Após o ataque, Willame tirou a própria vida com um disparo na cabeça.
Segundo a Polícia Civil, o atirador usou a arma do trabalho para cometer o crime. A empresa responsável informou que ele pegou o equipamento sem autorização. A polícia também revelou que Willame havia sido preso em flagrante no dia 3 de julho por lesão corporal no contexto de violência doméstica. Na ocasião, ele foi acusado de agredir a então companheira, ameaçá-la com uma faca e impedir que ela pedisse ajuda.
Histórico de violência e liberdade do agressor
Durante a audiência de custódia, a prisão em flagrante foi convertida em preventiva. No entanto, uma semana depois, em 10 de julho, a Justiça revogou a prisão preventiva e concedeu liberdade ao acusado mediante o cumprimento de medidas cautelares. Entre as condições, ele não podia manter contato ou se aproximar da vítima, nem frequentar locais por ela habitualmente utilizados. Além disso, havia restrição para portar arma de fogo, exceto durante o expediente de trabalho e sob supervisão da empresa.
O caso levanta questionamentos sobre a efetividade das medidas protetivas em situações de violência doméstica. A revogação da prisão preventiva, mesmo com a gravidade das acusações, permitiu que o agressor tivesse acesso à arma e cometesse o crime. As investigações continuam para apurar todos os detalhes do ocorrido.
Impacto e comoção na comunidade
A tragédia gerou comoção em Juruti e região. A transferência de Francenilda para Belém ocorreu devido à gravidade do quadro clínico, conforme informou a Polícia Militar. A vítima, que segue em recuperação, é a única testemunha sobrevivente do ataque, o que pode ser crucial para as investigações.
Segundo dados da Polícia Civil, este é mais um caso que expõe a fragilidade do sistema de proteção à mulher. A violência doméstica, que muitas vezes é subnotificada, pode escalar para feminicídio quando medidas protetivas não são cumpridas ou revogadas precocemente. A morte de Maria Luz, de apenas 10 anos, é um alerta para a necessidade de políticas públicas mais eficazes.
O que diz a lei
O crime é tratado como feminicídio, uma vez que a motivação está relacionada ao gênero. A legislação brasileira prevê pena mais severa para esses casos. No entanto, a revogação da prisão preventiva do agressor, mesmo com histórico de violência, é um ponto que deverá ser analisado pelas autoridades competentes.
As investigações seguem em andamento, e a polícia não descarta novas diligências. A comunidade local, abalada, presta homenagens às vítimas e cobra justiça. O caso também deve gerar debates sobre a atuação do Judiciário em situações de risco iminente.



