Seis filhotes de sagui raro nascem e renovam esperança para espécie
Seis filhotes de sagui raro nascem e renovam esperança

Seis filhotes de sagui-da-serra (Callithrix flaviceps) nasceram no Centro de Conservação dos Saguis-da-Serra (CCSS), em Viçosa (MG), entre dezembro de 2025 e o presente, elevando o plantel para 15 indivíduos. A instituição, vinculada à Universidade Federal de Viçosa (UFV), é a única do mundo dedicada ao manejo dessa espécie rara e ameaçada de extinção, exclusiva da Mata Atlântica.

Nascimentos inéditos reforçam plantel de segurança

Os nascimentos são considerados inéditos, pois o CCSS é o único centro global a trabalhar com os saguis-da-taquara, como também são conhecidos. Com os novos filhotes, a expectativa é formar quatro grupos familiares em breve. Fabiano Melo, especialista em primatas e coordenador do CCSS, destaca a importância: "Esses nascimentos são muito importantes, pois esses saguis estão criticamente em perigo na lista nacional. Ter esses animais reproduzindo no CCSS, ainda que sob cuidados humanos, é válido porque ajuda a garantir a diversidade genética. De forma estratégica, funciona como uma poupança: em uma situação de emergência populacional, esses animais serão extremamente necessários para trazer a espécie de volta à natureza e manter a biodiversidade local."

Desafio sanitário: parasita transmitido por baratas

Paralelamente aos resultados positivos, a equipe enfrenta um desafio inesperado: a contaminação de saguis que vivem próximos a centros urbanos por um parasita transmitido por baratas. Fabiana Voorwald, médica veterinária e responsável técnica pelo CCSS, explica: "Encontramos em alguns animais um parasitismo intenso por Prostenorchis spp (Acanthocephala), um helminto transmitido por invertebrados, como baratas. Até o momento, a literatura científica não descreve protocolos clínicos com eficácia comprovada para a eliminação dos vermes adultos." Alguns indivíduos já morreram após não responderem aos tratamentos clínicos convencionais. A equipe agora busca estratégias terapêuticas, incluindo "remoção dos parasitas por técnicas cirúrgicas minimamente invasivas", conforme acrescenta a veterinária.

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Ameaças históricas e perda de habitat

O parasitismo reforça a vulnerabilidade dos saguis-da-serra. Fabiano Melo lembra que, em Caratinga (MG), mais de 90% da população de saguis-da-serra desapareceu devido à febre amarela. "Esses animais possuem uma distribuição muito pequena e estão cada vez mais perdendo seu habitat; além disso, são extremamente afetados por zoonoses", enfatiza.

Manejo clínico e genético como estratégia de conservação

O CCSS mantém o maior plantel de saguis-da-serra-escuro (Callithrix aurita) do mundo, com 35 indivíduos, e é o único dedicado ao manejo do sagui-da-serra. O trabalho inclui captura, quarentena com exames laboratoriais e de imagem, e monitoramento contínuo. Outra frente é o manejo de híbridos: até o momento, quase 200 indivíduos híbridos foram esterilizados cirurgicamente na Zona da Mata (MG) e Serra da Mantiqueira (SP), para preservar a integridade genética das espécies. A equipe prevê uma reintrodução experimental de C. aurita em 2027 no campus da UFV.

Características do sagui-da-serra

O sagui-da-serra pesa cerca de 400 gramas na fase adulta, possui pelagem clara e vive em grupos de três a 20 indivíduos. Ocorre no leste de Minas Gerais, na região serrana do Espírito Santo e no extremo norte do Rio de Janeiro, em altitudes de 200 a mais de 1.200 metros.

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