Um estudo publicado na revista Cancer Epidemiology revela que homens que apresentavam sinais de calvície aos 30 anos têm até 29% menos risco de desenvolver câncer de próstata em comparação com aqueles sem perda capilar nessa idade. A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade de Washington, investigou a relação entre as duas condições, ambas comuns, de forte influência genética e ligadas aos hormônios masculinos, especialmente a di-hidrotestosterona (DHT).
O papel da DHT na calvície e no câncer
A DHT, derivada da testosterona, é considerada uma das principais responsáveis pela calvície de padrão masculino. O hormônio age sobre os folículos capilares, fazendo com que eles diminuam progressivamente de tamanho, produzam fios mais finos e, com o tempo, interrompam o crescimento do cabelo. A mesma via hormonal pode influenciar o desenvolvimento do câncer de próstata, o que motivou os pesquisadores a explorar a associação.
Detalhes do estudo
A análise incluiu 999 homens com câncer de próstata e 942 sem a doença, com idades entre 35 e 74 anos. Entre os participantes que começaram a perder cabelo antes dos 30 anos, a redução do risco chegou a cerca de 45%, tanto para as formas mais agressivas quanto para as menos agressivas da doença. O resultado sugere que a calvície precoce pode ser um marcador de menor risco oncológico.
Contexto nacional
No Brasil, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) estima que até 42 milhões de brasileiros convivem com algum tipo de alopecia. Já a plataforma Medihair aponta que 35,7% dos homens no país são ou poderão ficar carecas. Os dados reforçam a relevância do tema para a saúde masculina.
Embora o estudo traga uma notícia animadora para os carecas, os pesquisadores alertam que mais investigações são necessárias para compreender os mecanismos biológicos envolvidos e as implicações clínicas.



