A Federação Internacional do Automobilismo (FIA) implementou o protocolo de Alerta de Chuva (Rain Hazard) para o GP da Bélgica de Fórmula 1, neste fim de semana em Spa-Francorchamps. A previsão do tempo indica até 65% de chance de chuva na sexta-feira e no sábado de classificação, com risco de garoa para a corrida de domingo.
Novas regras do protocolo de chuva
O protocolo, previsto no artigo B1.5.11 do regulamento esportivo, flexibiliza as regras de parque fechado (parc fermé) quando há chances prováveis de chuva. Normalmente, as equipes não podem fazer muitas mudanças nos carros após a classificação de sábado. Sob o Alerta de Chuva, alterações especificadas no documento técnico FIA-F1-DOC-080 são permitidas.
Segundo sites especializados, o documento permite ajustes na posição do assoalho do carro em relação ao chão e nas configurações da aerodinâmica ativa (abertura e fechamento das asas dianteiras). A medida visa evitar punições por desgaste excessivo do assoalho, já que disparidades na altura do carro e posição das asas podem empurrar o veículo para baixo, causando desgaste e possível desclassificação.
Condição de baixa aderência
Outra novidade de 2025 é o protocolo de Condição de baixa aderência (Low grip condition), artigo B1.5.12. Sob essa sinalização, as zonas de ativação do modo reta ficam mais curtas e apenas a asa dianteira pode ser aberta para reduzir o arrasto, enquanto a asa traseira permanece em modo curva (fechada).
Em abril, a F1 introduziu medidas adicionais para chuva, incluindo a proibição do Modo de energia extra (Boost mode), que oferece 350 kW extras. O objetivo é evitar instabilidade provocada pelo súbito ganho de potência e torque excessivo do sistema ERS em pista molhada.
A FIA também aumentou a temperatura dos cobertores que aquecem pneus intermediários, melhorando o desempenho ao sair dos boxes, e simplificou o sistema de luzes para identificar carros à frente em baixa visibilidade.
Pneus de chuva versus intermediários
Os pneus de chuva forte (faixa azul) têm aparecido menos na categoria, pois possuem menos aderência que os intermediários e geram mais spray d'água. O fenômeno foi agravado pelos carros de efeito-solo até 2025, que bombeavam água para fora, prejudicando a visibilidade. Ainda não se sabe como os pneus atuais interagem com a nova geração de carros.
George Russell comentou: "Você não sabe o que essa ‘besta’ tem a mostrar. Tem um papo de que os pneus talvez não sejam tão bons quanto os de anos atrás. Então, como piloto, você pode ter que ser mais cauteloso na volta de saída e na primeira volta. Provavelmente você não vai acelerar a fundo na Eau Rouge na sua primeira volta de ataque na chuva."
Histórico de chuva em Spa
O GP da Bélgica tem histórico de corridas sob chuva. Em 2024, a largada foi atrasada em 1h20. Em 2023, a corrida sprint também sofreu atraso. Em 2021, Lando Norris foi hospitalizado após bater na classificação, e a corrida de domingo foi encerrada com apenas uma volta válida, concedendo metade dos pontos. A FIA aprovou desde então uma pontuação de contingência para corridas não concluídas.
Em 2008, Lewis Hamilton venceu sob chuva, mas foi punido por cortar uma chicane. Em 1998, um acidente com 13 carros marcou a prova. Em 1997, o safety car liderou a largada pela primeira vez na história. Em 1992, Michael Schumacher venceu sua primeira corrida na chuva.
Fora da F1, em 2023, o holandês Dilano Van't Hoff morreu em um acidente na etapa belga da FRECA, gerando pedidos de mudanças na pista por Max Verstappen e Lance Stroll.



