Muriqui-do-norte, o 'macaco hippie', é avistado em reserva no ES
Muriqui-do-norte avistado em reserva no ES

Um muriqui-do-norte (Brachyteles hypoxanthus), considerado o maior primata das Américas e ameaçado de extinção, foi registrado na Reserva Biológica Augusto Ruschi, em Santa Teresa, na Região Serrana do Espírito Santo. Apesar do tamanho, que atinge cerca de 1,5 metro de altura, o animal é conhecido como 'macaco hippie' devido ao seu comportamento pacífico.

Registro durante monitoramento de ave

O avistamento ocorreu em 28 de abril durante atividades de monitoramento do pássaro saíra-apunhalada (Nemosia rourei), conduzidas pela equipe do Programa de Conservação da Saíra-Apunhalada (PCSA). As imagens foram divulgadas apenas neste mês. Segundo o supervisor do programa, Victor Vale, o muriqui observado aparentava ser uma fêmea prenhe, o que tornou o registro ainda mais simbólico e representa um motivo de esperança para a conservação da espécie.

De acordo com os pesquisadores, o avistamento reforça o papel das chamadas espécies guarda-chuva na conservação da biodiversidade. Tais espécies, quando monitoradas e protegidas, ajudam a preservar todo o ecossistema onde vivem, beneficiando desde grandes mamíferos até anfíbios e plantas da Mata Atlântica.

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Adaptação surpreendente

Um dos aspectos que mais surpreendeu a equipe foi a capacidade de adaptação do animal, como relatou a bióloga Andressa Hartuiq, que participou da expedição. 'O que mais me chamou a atenção foi perceber que um animal daquelas dimensões consegue viver em um fragmento florestal e encontrar recursos. Isso é uma prova da beleza da adaptação evolutiva', afirmou.

A bióloga e doutora Carla Possamai reforçou o 'comportamento social tranquilo' do muriqui. Diferente de outras espécies, o 'macaco hippie' não é agressivo e não disputa território – nem mesmo o macho é dominante. É uma espécie endêmica da Mata Atlântica e ocorre no Espírito Santo, em Minas Gerais e em uma pequena porção do sul da Bahia.

Importância ecológica e ameaças

O muriqui-do-norte desempenha um papel essencial na manutenção da floresta: ao se alimentar de frutos e se deslocar por grandes áreas, dispersa sementes e contribui para a regeneração e manutenção da Mata Atlântica. No estado capixaba, as principais populações estão concentradas em remanescentes florestais de Santa Teresa e Santa Maria de Jetibá.

Apesar de sua importância, a espécie está criticamente ameaçada de extinção, segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Possamai explica que esse status se deve à perda e fragmentação do habitat, provocadas pelo desmatamento, além da caça e das epizootias – surtos de doenças que afetam populações de animais.

A presença do muriqui na Reserva Biológica Augusto Ruschi é considerada um indicativo da importância do monitoramento contínuo de espécies-bandeira, como a saíra-apunhalada, para a preservação do bioma.

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