Museu de Arte da Pampulha completa 7 anos fechado sem início de obras
MAP: 7 anos fechado, obras nem começaram

Após sete anos de portas fechadas, o Museu de Arte da Pampulha (MAP), em Belo Horizonte, ainda não viu o início das obras de restauração. O espaço, projetado por Oscar Niemeyer e com jardins de Roberto Burle Marx, é um dos principais cartões-postais da capital mineira e integra o Conjunto Moderno da Pampulha, reconhecido como Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO. Tombado nas esferas municipal, estadual e federal, o museu abriga um acervo de cerca de 1.400 obras, mas está fechado ao público desde 2019 devido a problemas elétricos e hidráulicos que comprometem a segurança dos visitantes.

Demora na restauração preocupa especialistas

O vice-presidente do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (Icomos), Leonardo Castriota, criticou a lentidão do processo. "Sete anos é um período exagerado. Isso, inclusive, eu acho que tira o museu do imaginário da população. Esses prédios, principalmente de arquitetura moderna, exigem uma conservação permanente, porque muitas vezes eles estão muito expostos aos elementos, à chuva, ao sol, eles não têm os elementos tradicionais, como telhado, que os proteja", afirmou.

Obras previstas para 2027

O projeto de restauração do MAP já passou pela análise dos órgãos de preservação do patrimônio. Em dezembro de 2024, a Prefeitura de Belo Horizonte anunciou um plano para recuperar o prédio, mas, um ano e meio depois, as obras não foram iniciadas. A licitação para a restauração, que seria realizada no mês passado, foi adiada após empresas interessadas apontarem a necessidade de revisão de documentos do edital. De acordo com o Executivo municipal, a abertura das propostas está prevista para esta sexta-feira (10). Se o cronograma for seguido, o processo deve ser homologado ainda neste ano, e as intervenções devem começar no primeiro semestre de 2027.

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Especialista defende mais celeridade

Andrea Michelini, conselheira do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Minas Gerais (CAU-MG), reconhece a complexidade do restauro, mas defende maior agilidade. "A gente gostaria que fosse mais célere, que fosse mais rápido, mas entende também que tem a burocracia, tem um projeto de restauro, que é diferente de um projeto de reforma. [...] Então, por exemplo, eu não posso chegar lá e substituir um piso porque eu não gosto ou porque não acho bonito. Eu tenho sempre que ver a história por trás daquilo", disse.

História do MAP

Inaugurado em 1943 como cassino, o edifício foi projetado por Oscar Niemeyer e teve seus jardins assinados por Burle Marx. Com a proibição dos jogos de azar em 1946, o espaço ficou fechado por cerca de dez anos. Em 1957, foi transformado no Museu de Arte da Pampulha, passando a receber exposições e atividades culturais. Atualmente, segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), estão sendo realizadas intervenções na antiga Estação de Tratamento de Águas, na Pampulha, que deverá receber provisoriamente o acervo do museu.

Posição da prefeitura

Em nota, a Prefeitura de Belo Horizonte afirmou que o processo de restauração do MAP está em andamento, seguindo o cronograma e os protocolos de segurança exigidos para intervenções em patrimônios históricos. Segundo o município, devido à alta complexidade do projeto, a fase inicial dos trabalhos foca na liberação do edifício e proteção do acervo. "Neste momento, as equipes se dedicam à finalização e equipação da nova reserva técnica no MAP - Núcleo de Pesquisa e Informação (NPI), etapa indispensável para que a transferência e o acondicionamento seguro das obras de arte sejam concluídos antes do início da intervenção estrutural", informou o Executivo.

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