O videogame, geralmente visto como entretenimento, tornou-se um aliado importante na reabilitação de pacientes na unidade de saúde Reabilitar I, em São Vicente, litoral de São Paulo. Os jogos controlados por movimentos corporais auxiliam na mobilidade e no equilíbrio, tornando as sessões de fisioterapia mais leves e divertidas.
Público-alvo e benefícios
Segundo a fisioterapeuta Danielle Rodrigues do Valle, o método é direcionado a pacientes respiratórios, amputados (antes e após a colocação de próteses) e pessoas que sofreram Acidente Vascular Cerebral (AVC). "Por meio dos jogos interativos, o paciente realiza movimentos específicos que estimulam equilíbrio, coordenação, força muscular e controle postural. Além de trabalhar a função motora, os jogos estimulam a concentração, atenção e raciocínio", afirmou Danielle ao g1.
Os tratamentos são prolongados, geralmente acima de seis meses. O método visa estimular os pacientes, que demonstram mais entusiasmo durante as sessões, reduzindo o índice de abandono da fisioterapia.
Funcionamento e equipamentos
As fisioterapeutas utilizam um Xbox 360 com dois discos físicos. O primeiro é voltado para esportes, simulando boliche, futebol, vôlei e atletismo, trabalhando força muscular, amplitude de movimento e condicionamento físico. O segundo contém jogos de aventura que promovem deslocamentos, ação e reação, agilidade e coordenação motora.
Antes de iniciar, os pacientes passam por consulta com médico especialista em Medicina Física e Reabilitação para indicação do uso. É necessário ter condicionamento físico e conseguir se manter em pé, com ou sem auxílio de equipamentos.
Resultados observados
Danielle destacou que a resposta à reabilitação virtual tem sido proveitosa. Pacientes respiratórios apresentaram melhora na capacidade aeróbica, realizando exercícios sem dispneia ou queda da saturação de oxigênio. Já os amputados tiveram melhora na força, equilíbrio e descarga de peso em pé.
A paciente amputada Tereza Souza, de 64 anos, relatou avanços significativos: "Não conseguia me manter em pé nem levantar o braço direito. Não conseguia pentear o cabelo com a mão direita e agora consigo esticar o braço acima da cabeça, subir escadas e fazer as coisas sozinha. É muito legal e ajuda muito", disse em nota da prefeitura.
Histórico da iniciativa
A reabilitação virtual começou em 2014, quando uma fisioterapeuta realizou um campeonato de videogame entre pacientes, recebendo menção honrosa no V Prêmio David Capistrano de Experiências Exitosas na Área da Saúde, em 2015. O método foi interrompido durante a pandemia de Covid-19, quando o posto de saúde fechou e os fisioterapeutas foram redistribuídos para UTIs e atendimento pós-covid. A prática foi retomada em 2025.
A fisioterapeuta ressaltou que a tecnologia não substitui os métodos convencionais, sendo usada como complemento. Todos os pacientes realizam exercícios aeróbicos e de fortalecimento muscular antes do uso do videogame.



