Jornalista denuncia agressão e injúria racial no Festival de Parintins
Jornalista denuncia agressão e injúria racial em Parintins

O jornalista Marcelo Rocha, de 28 anos, registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) após ser vítima de agressão física e injúria racial durante a cobertura da última noite do 59º Festival de Parintins. O incidente ocorreu na madrugada de segunda-feira (29), na área do Bumbódromo reservada aos profissionais de imprensa. Segundo o boletim de ocorrência, uma mulher pediu que Marcelo retirasse o celular da frente dela. Ao informar que era profissional de imprensa e realizava a cobertura oficial do festival, a mulher deu um tapa em seu rosto e o chamou de 'vagabundo' e 'neguinho'.

Detalhes da ocorrência

Em depoimento, Marcelo afirmou que, após a agressão, foi derrubado por integrantes da equipe de segurança privada e conduzido à força até a Delegacia Itinerante instalada no Bumbódromo. Ele relatou que permaneceu sozinho em uma sala, enquanto as demais pessoas envolvidas ficaram em outro ambiente. Segundo o depoimento, 'somente foram conduzidos o chefe da equipe de segurança, outro segurança, a mulher apontada como autora da agressão inicial e uma testemunha apresentada por esta, sustentando que lhe foi negado o direito de indicar e conduzir outras pessoas que presenciaram os fatos'.

Posicionamento da Polícia Civil

A Polícia Civil informou, em nota, que adotou imediatamente as providências para apurar a ocorrência envolvendo uma mulher de 38 anos, que acompanhava o espetáculo no espaço destinado às Pessoas com Deficiência (PCD), e um profissional de imprensa de 28 anos. Os envolvidos foram levados ao posto policial no Bumbódromo, onde permaneceram em ambientes separados 'para preservar a ordem e a integridade de todos'. Foi lavrado um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), com registro dos fatos e coleta de depoimentos preliminares, encaminhado ao Juizado Especial Criminal da Comarca de Parintins para continuidade da apuração.

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Empresa de segurança se manifesta

A empresa Sioux, responsável pela segurança do Bumbódromo, informou que atuou na ocorrência 'em conformidade com os protocolos de segurança' e que todas as pessoas envolvidas foram encaminhadas às autoridades competentes. A empresa afirmou atuar há mais de dez anos na segurança do Festival de Parintins, desempenhando suas atividades com 'profissionalismo, imparcialidade e compromisso com a segurança de todos'.

Repercussão e manifestações

A Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas declarou que a organização do festival não tolera práticas discriminatórias nem violações de direitos fundamentais e colabora com as autoridades. Informou ainda que o jornalista recebeu apoio da equipe do Governo do Estado, que auxiliou na busca por advogados e acionou a defensora pública de plantão, que entrou em contato com ele ainda durante a madrugada. Os bois Caprichoso e Garantido também se manifestaram. O Caprichoso prestou solidariedade a Marcelo Rocha e destacou a importância da imprensa livre e do respeito aos profissionais de comunicação. Já o Garantido repudiou 'qualquer manifestação de racismo, preconceito, discriminação ou violência', afirmando que tais condutas contrariam os princípios de respeito, dignidade e diversidade defendidos pela agremiação.

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