O Governo do Amazonas desembolsou R$ 10,7 milhões em diárias para servidores estaduais nos primeiros seis meses de 2026, conforme dados do Portal da Transparência consultados pelo g1. O valor representa um aumento de 10,33% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram pagos R$ 9,7 milhões.
Modalidades e maiores beneficiários
As diárias são concedidas a servidores que precisam se deslocar em missões oficiais. O Executivo estadual define quatro modalidades de valores: Secretários Executivos Adjuntos recebem R$ 227,85; analistas fiscais e oficiais militares, R$ 282,10; servidores de nível superior, R$ 204,60; e de nível médio, R$ 186,00.
A Universidade do Estado do Amazonas (UEA) foi a instituição que mais recebeu recursos, com R$ 2.303.973,95 em cerca de 9,5 mil diárias, o equivalente a 21% do total pago pelo governo no período. Em seguida, aparecem a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), que concedeu 11,3 mil diárias, e a Polícia Militar do Amazonas (PMAM), que pagou R$ 1,2 milhão em aproximadamente 9,6 mil diárias.
Também estão entre os cinco órgãos com maior desembolso a Agência de Defesa Agropecuária e Florestal do Estado do Amazonas (Adaf), com R$ 707,3 mil em 4,7 mil diárias, e a Empresa Estadual de Turismo do Amazonas (Amazonastur). O g1 solicitou posicionamento do Governo do Amazonas sobre o aumento dos gastos, mas não houve retorno até a última atualização.
Comparativo com 2025 e gastos mensais
No primeiro semestre de 2025, o governo desembolsou R$ 9,7 milhões em diárias. Em um ano, o gasto cresceu cerca de R$ 1 milhão. O maior desembolso em 2026 ocorreu em maio, com R$ 2.717.393,86, sendo que a SSP-AM concentrou o maior volume naquele mês: 6,3 mil diárias que somaram R$ 832.502.
Junho registrou o segundo maior gasto do semestre, com R$ 1.893.720,44. Em seguida, aparecem fevereiro (R$ 1.847.643,92), abril (R$ 1.220.408,25), janeiro (R$ 1.051.205,68) e março (R$ 1.014.161,43).
Queda na arrecadação do ICMS
O aumento nos gastos com diárias ocorre em meio a um alerta do Governo do Amazonas sobre a queda na arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). O governador Roberto Cidade (União Brasil) destacou o cenário no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027, enviado à Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam).
Na justificativa, o governo afirma que o cenário internacional continua marcado por "elevada incerteza", agravada por tensões geopolíticas no Oriente Médio, com reflexos sobre os preços da energia e das commodities. Um dos principais riscos para as contas estaduais é a frustração na arrecadação do ICMS, especialmente em caso de crescimento econômico abaixo do esperado e desaceleração do consumo.
A mensagem informa que a arrecadação do ICMS principal caiu 4,85% no primeiro quadrimestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025. O resultado foi influenciado pela retração de 22% no segmento de insumos importados e de 26% no setor de combustíveis, atribuída à valorização cambial e à redução do volume tributável de mercadorias importadas.



