O Amazonas saltou de 1.100 para 2.881 carros elétricos no primeiro semestre de 2026, um avanço de 150% na comparação com o mesmo período de 2025, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). Com esse número, o estado lidera a frota da Região Norte. O crescimento é puxado pela economia com combustível e manutenção, fatores que têm atraído tanto consumidores particulares quanto motoristas de aplicativo.
Com o aumento da frota, a demanda por infraestrutura de recarga e por serviços especializados de manutenção também cresce. Em Manaus, a expansão dos pontos de recarga ainda é um desafio, mas empresas do setor já projetam ampliar a rede para atender os bairros com maior concentração de motoristas por aplicativo.
Crescimento impulsionado pela economia
Motorista de aplicativo há três anos, Lucas Abreu trocou o carro a combustão por um elétrico após fazer as contas. “Eu tinha dúvida no começo, mas depois percebi que, no ano, deixo de gastar mais de R$ 54 mil com postos de combustíveis”, afirmou. Segundo ele, a economia compensou a mudança.
Heron Lanhellas, gerente comercial de uma concessionária, explica que a redução nos custos é o principal motivo da procura pelos veículos elétricos. “São modelos que podem gerar uma economia de até R$ 1 por quilômetro rodado, se comparado ao que seria gasto com combustível”, explicou.
Amazonas lidera ranking no Norte
Os dados da ABVE mostram que o Amazonas possui atualmente a maior frota de carros elétricos da Região Norte. Entre janeiro e junho de 2026, o estado contabilizou 2.881 veículos elétricos, à frente do Pará, com 2.533, e de Rondônia, com 1.520.
Esses números colocam o Amazonas à frente dos demais estados da região, mas também evidenciam o ritmo acelerado de eletrificação no Norte do país.
Expansão da rede de recarga
Com o aumento da frota, cresce também a preocupação dos motoristas sobre onde recarregar os veículos fora de casa. Segundo Francis Bragança, diretor executivo de uma empresa do setor, Manaus conta atualmente com 14 pontos públicos de recarga distribuídos pela cidade. A expectativa é ampliar essa rede, principalmente para as zonas Norte e Leste, onde há grande concentração de motoristas de aplicativo.
“Estamos descentralizando os pontos de recarga. Hoje a maioria está concentrada em áreas comerciais, mas muitos usuários de carros elétricos moram nas zonas Norte e Leste, que ainda têm poucas estações”, disse.
Thiago Freire, diretor comercial de outra empresa do segmento, afirma que os eletropostos oferecem mais praticidade aos motoristas. “O eletroposto consegue carregar um veículo em cerca de 40 minutos e oferece uma comodidade para quem não consegue instalar um carregador em casa ou no condomínio”, explicou.
Manutenção exige oficinas especializadas
Apesar das vantagens, especialistas alertam que veículos elétricos exigem cuidados específicos. Em caso de defeitos, o reparo deve ser feito em oficinas especializadas. O especialista em trânsito Haniery Mendonça orienta que o consumidor conheça os custos e a disponibilidade de assistência técnica antes da compra.
Já Heron Lanhellas destaca que alguns modelos contam com recursos que facilitam o uso no dia a dia. “Se o pneu furar, por exemplo, o veículo já vem com um kit selador que permite continuar rodando por um bom tempo, sem necessidade de estepe”, afirmou.
Mercado deve crescer nos próximos anos
Para empresários do setor, a participação dos carros elétricos deve continuar aumentando nos próximos anos. Francis Bragança acredita que, dentro de uma década, a frota de veículos elétricos e a de carros a combustão poderão ter participação semelhante no mercado. Segundo ele, a expansão desse tipo de veículo também pode trazer benefícios ambientais.
Já para Lucas Abreu, a experiência ao volante não deixa dúvidas. “Se você me perguntar hoje se quero um carro a combustão, eu digo que compro um só para revender e comprar outro elétrico”, afirmou.



