Projeto Fluxo Amazônico combate pobreza menstrual em Rio Branco
Fluxo Amazônico combate pobreza menstrual em escolas de Rio Branco

O Projeto Fluxo Amazônico está transformando a realidade de estudantes em escolas públicas de Rio Branco ao abordar a pobreza menstrual e promover a educação sobre saúde feminina. A iniciativa, que combina atividades educativas com a distribuição de absorventes ecológicos reutilizáveis, busca garantir dignidade menstrual e reduzir a evasão escolar durante o período menstrual.

Educação menstrual nas escolas

Na Escola Padre Carlos Casavecchia, uma das unidades atendidas, meninas e meninos participam de rodas de conversa sobre o ciclo menstrual, mudanças corporais, saúde e direitos relacionados à dignidade menstrual. A proposta também visa ampliar o acesso a produtos de higiene e minimizar os impactos da falta deles na rotina escolar.

Ywlly Cavalcante, idealizadora do projeto, explica que a iniciativa evoluiu ao longo dos anos. "Como são iniciativas inovadoras, a gente vai experimentando metodologias e formas de execução. O Fluxo Amazônico que aconteceu no Casavecchia reuniu várias experiências que tivemos ao longo desse período", afirmou.

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Absorventes ecológicos: sustentabilidade e conforto

Além das oficinas, as estudantes receberam absorventes ecológicos confeccionados com tecidos reutilizáveis. Segundo Ywlly, o produto representa uma alternativa sustentável e de longo prazo. "Os absorventes ecológicos são uma nova tecnologia alternativa e sustentável. Eles são confeccionados com tecidos hipoalergênicos e impermeáveis, não causam assaduras nem mau cheiro e trazem conforto. Além disso, são laváveis. É um produto que a pessoa recebe uma vez e pode utilizar por até três anos", explicou.

A falta de absorventes ainda é um dos fatores que contribuem para a ausência de estudantes durante o período menstrual. "Isso é um problema porque afeta a dignidade menstrual de jovens, adolescentes e estudantes. O objetivo do projeto é construir novas narrativas a partir da educação menstrual emancipatória. Por isso procuramos escolas que estão às margens das políticas públicas", afirma Ywlly.

Depoimentos de estudantes

A estudante Maria Ferreira conta que conheceu os absorventes ecológicos por meio das atividades na escola e passou a enxergar a menstruação de forma diferente. "Consegui conhecer o chamado absorvente ecológico, que é um importante meio de cuidado para a gente no período menstrual. Além de ser mais confortável, auxilia no cuidado com a nossa natureza, com a nossa floresta. Antes eu via isso como um tabu, mas aprendi que não precisava ser assim e que eu poderia falar sobre o assunto abertamente, porque isso ajuda outras mulheres", relata.

As atividades também incluem os meninos, com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre o ciclo menstrual e estimular o respeito e a empatia. "Eu acho muito importante esses projetos que a escola traz para nós alunos, porque ajudam a gente a ter um conhecimento mais amplo. Quando uma mulher não consegue comprar absorvente, a gente pode ajudar, seja uma namorada ou até mesmo a nossa mãe", afirma o estudante Carlos Souza.

Acolhimento na escola

A coordenadora da Escola Padre Carlos Casavecchia, Jacimar Oliveira, avalia que as ações contribuíram para mudar a forma como os estudantes encaram a menstruação. A escola mantém pontos de distribuição de absorventes para atender estudantes que necessitam do produto. "Temos uma caixa com absorventes na entrada do banheiro, além da biblioteca, secretaria, portaria e coordenação. Antes, muitas meninas pegavam absorventes escondido. Hoje elas sabem que podem procurar ajuda", destaca.

Jacimar ressalta que a falta de acesso a itens básicos de higiene impacta diretamente a permanência das estudantes em sala de aula. "Muitos dos nossos alunos dependem de programas sociais. Se a menina não se sente confortável, ela pode ficar ansiosa, preocupada com vazamentos ou constrangimentos. Precisamos discutir cada vez mais essa política de cuidado com o corpo da mulher", enfatiza.

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Programa Dignidade Menstrual no Acre

A discussão sobre dignidade menstrual vai além da distribuição de absorventes e envolve acesso à informação, saúde e condições adequadas para que meninas e adolescentes possam frequentar a escola durante o período menstrual. No Acre, o Programa Dignidade Menstrual, do governo federal, beneficiou cerca de 9 mil pessoas em 2024, com a distribuição de mais de 773 mil absorventes gratuitos. O investimento no estado foi de R$ 415,4 mil.

O programa atende pessoas de 10 a 49 anos inscritas no Cadastro Único (CadÚnico), estudantes de baixa renda da rede pública, mulheres em situação de rua e integrantes do sistema prisional. Atualmente, 19 farmácias em 10 municípios acreanos estão credenciadas para realizar a entrega dos produtos.

Para ter acesso ao benefício, é necessário apresentar documento oficial com CPF e a autorização emitida pelo aplicativo Meu SUS Digital. Em casos de dificuldade para acessar a plataforma, a emissão também pode ser feita com auxílio de profissionais das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e dos Centros de Referência de Assistência Social (Cras).