A morte do ator japonês Hikaru Kurosaki, intérprete do herói Jaspion, reacendeu memórias de uma geração que cresceu assistindo ao seriado no fim dos anos 1980 e nos anos 1990. Em Sorocaba (SP), o especialista em ciência da computação Jaspion Lopes, de 38 anos, é um desses fãs e foi batizado pelos pais em homenagem ao personagem.
Jaspion: o herói que inspirou um nome e uma carreira
Jaspion Lopes trabalha como coordenador de segurança e redes em uma empresa de comunicação. Ele acredita que o personagem inspirou crianças a agir corretamente, assim como fez com ele. “Hoje eu trabalho justamente com proteção, na área de segurança. Protejo tanto a empresa quanto os colaboradores. Quando eu trabalhava no suporte, o pessoal falava: ‘Lá vem o super-herói salvar a gente’. Eu ia lá, resolvia o problema e todo mundo dava risada”, disse ao g1.
Segundo o Censo de 2022 do IBGE, divulgado em novembro do ano passado, existem 53 pessoas chamadas Jaspion no Brasil, com idade média de 32 anos.
Infância e influência do seriado
Jaspion assistiu ao seriado ainda criança, quando era exibido pela TV Manchete, apesar do sinal fraco na região de Sorocaba. Na adolescência, voltou a ver episódios pela internet e até hoje acompanha notícias sobre o universo de Jaspion. “Deixou um legado enorme [o ator Hikaru Kurosaki]. Depois dele, vieram vários outros, como Power Rangers. Também influenciou essa parte dos animes e dos heróis japoneses. Hoje em dia eu não assisto, mas, sempre que tem uma notícia, eu acabo acompanhando. Também sigo perfis no Instagram sobre o Jaspion”, pontuou.
A escolha do nome e a mãe faixa-preta em caratê
O pai de Jaspion, o aposentado Nelson Alegre Lopes, de 77 anos, contou que a ideia de batizar o filho com o nome japonês partiu da esposa, Eliane Lopes, falecida em 2021, aos 71 anos. “Minha esposa escolheu o nome dos três filhos (Jerusa, Rafael e Jaspion). Quando apareceu o Jaspion na TV, ela gostou tanto do nome que disse que queria colocá-lo. Eu também achei bonito. Era um nome diferente, mas o cartório não queria registrar”, relembrou Nelson.
O juiz responsável pelo registro recusou o pedido inicialmente. “O juiz não autorizou. Perguntou qual era a origem daquela palavra e eu expliquei que era um herói japonês, que tinha começado a passar na Manchete. Depois ele falou que, pagando uma taxa simbólica, liberava o registro”, lembrou Nelson.
Eliane Jurema Lopes inspirou-se tanto no seriado que começou a praticar caratê em 2015 e tornou-se faixa-preta na arte marcial, com autorização para dar aulas. Por causa da idade avançada, deixou o esporte de lado.
Do TCC ao robô Daileon
A homenagem ao herói acompanhou Jaspion em diferentes fases. Na infância, o nome diferente gerava brincadeiras na escola. “Era um pouco dos dois. Tinha zoação, mas também tinha gente que achava legal. Sempre levei na brincadeira”, relembra.
Na faculdade, a inspiração voltou. No Trabalho de Conclusão de Curso de Ciência da Computação, ele desenvolveu um robô capaz de resolver labirintos e o batizou de Daileon, em referência ao robô gigante do seriado. “Resolvi fazer algo mais criativo e fazia todo o sentido”, conta. O projeto foi aprovado e permanece no acervo da instituição em Votorantim (SP).
Coleção e orgulho da família
Nelson também contou que a esposa guardava diversos itens relacionados ao seriado, como gibis e discos de vinil com as músicas, mas a coleção se perdeu com o tempo. Ele trabalhou por cerca de 15 anos em uma locadora de vídeo, o que facilitava o contato com filmes e programas. “Ela [a esposa] guardava os filmes de que mais gostava. Se eu procurar, devo achar. Tínhamos várias coisas do Jaspion.”
Nelson diz sentir orgulho da trajetória do filho, que ainda é visto como alguém disposto a ajudar a família. “Sempre vai ser um orgulho”, finaliza.



