Expedição em MT explora caverna submersa com mergulhador do resgate na Tailândia
Expedição em MT explora caverna submersa com mergulhador do resgate na Tailândia

Pesquisadores estão investigando uma das maiores cavernas submersas do Brasil, localizada no Parque Estadual Gruta da Lagoa Azul, em Nobres, a 123 km de Cuiabá, Mato Grosso. A expedição conta com a participação do britânico Rick Stanton, um dos mergulhadores responsáveis pelo resgate do time de futebol infantil preso em uma caverna na Tailândia em 2018.

Quarta etapa de exploração

A pesquisa, iniciada há quatro anos, está agora em sua quarta etapa. Durante 10 dias, os pesquisadores conseguiram mapear novas galerias na caverna. A equipe reúne cientistas da Universidade de São Paulo (USP) e especialistas internacionais em exploração de cavernas, incluindo Jarrod Jablonski, diretor da Global Underwater Explorers (GUE), referência em mergulho técnico e exploração subaquática.

Objetivos e descobertas

O objetivo principal é ampliar o conhecimento sobre a caverna submersa para auxiliar na gestão de recursos hídricos. Em quatro expedições, os pesquisadores já ultrapassaram 130 metros de profundidade e percorreram cerca de dois quilômetros de galerias inundadas. Cada etapa exige vários dias consecutivos de mergulho, com os exploradores permanecendo entre cinco e sete horas submersos para medir o fluxo da água, registrar profundidades, mapear passagens e identificar características geológicas do sistema.

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Segundo os pesquisadores, a caverna possui dois canais que se conectam a aproximadamente 115 metros de profundidade e dão acesso a uma galeria ainda maior, que continua sendo estudada.

Importância da exploração

Para Rick Stanton, a região de Nobres tem potencial para exploração por décadas, mas o planejamento é essencial para evitar riscos. Jarrod Jablonski destacou que esta é uma das maiores cavernas que já viu, tanto pelo tamanho quanto pela quantidade de água, e que as pesquisas são essenciais para gerenciar o recurso hídrico, que poderá ser utilizado de diversas formas.

Devido à complexidade da operação, a expedição conta com uma estrutura especial de segurança, incluindo uma câmara hiperbárica para tratar possíveis complicações causadas pela pressão durante os mergulhos. O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso também presta apoio às atividades.

Desafios e metodologia

O pesquisador Sérgio Rhein Schirato afirmou que, mesmo com mergulhadores experientes no grupo, as dimensões da caverna são uma novidade para todos. “Realmente é uma caverna muito grande, é uma quantidade de água muito grande que movimenta aqui no sub solo. É um trabalho muito interessante para tentar entender para onde essa água vai, de onde vem o abastecimento para esse sistema e como podemos mapear e quantificar essa quantidade de água”, explicou.

Para isso, os pesquisadores utilizam um cabo guia com um sensor que captura informações, que depois são reproduzidas e formam um mapeamento da região. “Com base nessas informações planejamos os próximos mergulhos para saber onde devemos seguir tentando explorar”, contou.

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