Pais denunciam demora no atendimento pediátrico pelo SUS em Campinas
Demora no atendimento pediátrico pelo SUS em Campinas

Pais de crianças atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Campinas (SP) relatam demora no atendimento pediátrico, especialmente no Hospital Mário Gattinho e na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) São José. A situação levou famílias a buscar alternativas, resultando na superlotação da UPA São José, localizada no Jardim das Bandeiras, na manhã desta terça-feira (2).

Superlotação e estrutura improvisada

Adultos e crianças, muitos com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), aguardavam atendimento em uma estrutura improvisada, já que a recepção da UPA São José está em reforma desde outubro de 2025. As obras, que deveriam ter sido concluídas em dois meses, estão atrasadas. A dona de casa Elaine Santos da Silva comentou: "Tudo lotado. É adulto com criança, todo mundo tossindo em cima do outro. A gente não tem para onde correr. Não temos convênio, então dependemos daqui e temos de esperar."

Devido à demora, alguns pacientes optaram por esperar sentados na calçada ou dentro de seus carros. O funileiro Adriano Rodrigues, que acompanhava a paciente Valéria Rocha Matias, aguardava há mais de duas horas dentro do veículo. "Está tudo lotado. É no Mário Gatti, é no Ouro Verde. É melhor estar aqui do que lá dentro, porque não está tendo espaço e dá para escutar daqui", afirmou à EPTV, afiliada da TV Globo.

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Relatos de pais

A dona de casa Antônia Linhares do Nascimento colocou o filho José Caio deitado em um banco enquanto esperava atendimento. "Estou aqui para mostrar os exames dele, mas está complicado, demora", disse. A Prefeitura de Campinas informou, em nota, que as UPAs estão com equipes completas e que a entrega da recepção da UPA São José está prevista para os próximos dias. Após a entrega, a empresa responsável pela obra terá 30 dias para adequações. "O prazo original foi descumprido pela empresa, que responderá pelas cláusulas contratuais que preveem multa em caso de atraso", completou a nota.

Aumento de casos de SRAG

Os casos de SRAG aumentaram 23,1% em Campinas entre abril e maio, segundo a Rede Mário Gatti. Foram 164 registros em abril e 202 em maio, dentro da sazonalidade das doenças respiratórias. Apenas no Mário Gattinho, foram 2.292 atendimentos pediátricos por sintomas respiratórios leves nos últimos 60 dias. Entre janeiro e junho de 2026, a unidade registrou 352 casos de SRAG em crianças, sendo 78% em menores de 5 anos, com concentração em bebês com menos de 1 ano (178 casos). Destes, 27% precisaram de UTI e 11% de ventilação mecânica invasiva. Não houve mortes, e todos os casos evoluíram para cura.

No domingo (31) e na segunda-feira (1º), pais relataram espera de até sete horas após a triagem no Mário Gattinho. Na manhã desta terça-feira (2), o movimento ainda era intenso, mas a fila havia diminuído, com pacientes acomodados em bancos. A reportagem também visitou as UPAs Padre Anchieta e Campo Grande, que estavam em situação melhor, embora a sala de espera para adultos na Padre Anchieta estivesse cheia.

Medidas da Prefeitura

A Prefeitura de Campinas informou que o Mário Gattinho, assim como todas as unidades da Rede, funciona em sistema de porta aberta, atendendo todos os pacientes, com prioridade para casos graves. Para enfrentar a sazonalidade, a Rede Mário Gatti abriu quatro novos leitos na Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP) do Mário Gattinho, já em operação. Além disso, foram abertos processos seletivos para contratação emergencial de pediatras em abril. Das sete vagas para o Pronto-Socorro Infantil (PSI), dois profissionais já assumiram. Um novo processo seletivo para mais oito pediatras para a UTIP será reaberto neste mês, pois não houve interessados no primeiro.

Há um mês, está disponível o teleatendimento pediátrico infantil 24 horas pelo WhatsApp (19 95871-0027) para pacientes do SUS municipal. Pelo aplicativo, responsáveis falam com enfermeiros e pediatras, informam sintomas e recebem orientações e prescrições, se necessário. No primeiro mês, dos 1.225 atendimentos, 686 casos foram resolvidos sem necessidade de ida a uma unidade de saúde. Casos de maior complexidade são encaminhados a uma unidade de saúde.

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