Belém recebe nesta quinta-feira (11) e sexta-feira (12) o seminário “Clima, Inovação e Pan-Amazônia: um Seminário Latino-americano”, que visa ampliar a articulação entre países da América Latina e do Caribe em torno de temas estratégicos para a região. O evento ocorrerá no Fórum Landi, na Praça do Carmo, no primeiro dia, e em um hotel na avenida Presidente Vargas, no segundo. Um dos momentos mais importantes será a assinatura do acordo para a criação do CICEF Amazônia, sede em Belém do Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento.
Participação diversificada e objetivos
O encontro reunirá pesquisadores, gestores públicos, lideranças indígenas e comunitárias, movimentos sociais, representantes de governos nacionais e subnacionais, além de organismos internacionais e redes acadêmicas. A proposta, segundo a organização, é construir uma agenda comum para a Amazônia e para o Sul Global, com debates sobre clima, bioeconomia, urbanização, financiamento e soberania regional. Entre os eixos centrais estão integração regional, justiça ambiental, transição ecológica, cooperação científica Sul-Sul, infraestrutura territorial, direito à cidade e disputas geopolíticas sobre recursos naturais. A programação também abordará democracia, participação social, conhecimentos ancestrais e novas estratégias de desenvolvimento para a América Latina e o Caribe.
Promoção e parcerias
O seminário é promovido pelo Centro de Financiamento Climático para o Sul Global, ligado ao Programa de Pós-Graduação em Economia da UFPA, em parceria com o Distrito de Inovação e Bioeconomia de Belém, o Itaipu Parquetec e o Instituto Clima e Sociedade. A agenda contará com mesas de debate e reuniões, com participação de nomes como Vitarque Lucas Paes Coelho, do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional; Carlos Pinkusfeld Bastos, diretor-presidente do CICEF; além de ex-ministros, parlamentares e cientistas de diferentes regiões do Brasil e de outros países.
Visão dos organizadores
Segundo o professor Cláudio Puty, que integra a coordenação do evento, a COP 30 colocou a Amazônia no centro das discussões globais, mas os desafios da região exigem uma resposta própria, conectada às realidades latino-americanas. Ele defende uma agenda baseada em soberania, desenvolvimento, democracia e justiça socioambiental. Puty também destaca que “a bioeconomia deve ser tratada como eixo estratégico da inovação amazônica, combinando ciência, tecnologia e saberes ancestrais para gerar emprego, renda e infraestrutura”. Para ele, “o desafio é construir soluções adaptadas ao território, capazes de enfrentar desigualdades, urbanização precária e modelos predatórios de exploração”. O professor afirma ainda que “o financiamento climático precisa chegar de forma mais efetiva a governos subnacionais, instituições locais e organizações territoriais”. Na avaliação dele, “a Amazônia demanda investimentos em conectividade, logística, energia e infraestrutura digital, mas sem repetir modelos externos que aprofundem a exclusão social ou a dependência extrativista”.



