Amazonas desperdiça 178 piscinas olímpicas de água por dia, aponta estudo
Amazonas perde 178 piscinas olímpicas de água/dia

O Amazonas desperdiça diariamente o equivalente a 178 piscinas olímpicas de água tratada antes que ela chegue às torneiras da população. O dado é do "Estudo de Perdas de Água 2025", divulgado pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a consultoria GO Associados, com base em dados de 2023 do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA).

Perdas na distribuição

Segundo o levantamento, 40,68% da água tratada produzida no estado é perdida durante a distribuição. Na prática, de cada 100 litros de água prontos para consumo, mais de 40 não chegam aos moradores por causa de vazamentos, ligações clandestinas, desvios ou falhas de medição. O índice está próximo da média nacional, que foi de 40,31% em 2023.

O estudo também estima que o volume de água desperdiçado diariamente no Amazonas seria suficiente para encher 591.716 caixas d'água residenciais com capacidade para 750 litros.

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Desafios climáticos

O desperdício ocorre em meio aos desafios climáticos enfrentados pela Amazônia nos últimos anos, com secas severas e redução dos níveis dos rios. De acordo com o levantamento, se o Amazonas reduzisse as perdas para 25%, meta estabelecida pelo Governo Federal para 2034, o volume de água recuperado seria suficiente para abastecer cerca de 874 mil pessoas.

Norte concentra os piores índices

Embora o Amazonas tenha um índice próximo da média nacional, a Região Norte apresenta o pior desempenho do Brasil em perdas de água. Em 2023, a região registrou desperdício médio de 49,78% da água distribuída. Segundo o estudo, Norte e Nordeste concentram os maiores desafios do saneamento básico no país. Além dos altos índices de perdas, as duas regiões também apresentam os piores indicadores de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto.

Por outro lado, a Região Norte foi a que mais avançou na redução das perdas nos últimos anos. Entre 2019 e 2023, houve queda de 5,43 pontos percentuais no indicador. Mesmo assim, estados vizinhos como Roraima (62,51%) e Acre (62,25%) continuam entre os que mais desperdiçam água no Brasil.

Manaus perde o equivalente a 113 piscinas olímpicas por dia

Em Manaus, o desperdício de água tratada também está entre os mais altos do país. Segundo o estudo, quando são consideradas apenas as perdas físicas, causadas por vazamentos e rompimentos na rede de distribuição, a capital desperdiça o equivalente a 80 piscinas olímpicas de água por dia. O volume aumenta quando entram na conta as perdas comerciais, como fraudes, ligações clandestinas e erros de medição. Nesse cenário, o índice de perdas no faturamento chega a 47,49%, fazendo o desperdício total alcançar o equivalente a 113,28 piscinas olímpicas diariamente.

De acordo com o levantamento, se Manaus atingisse a meta de 25% de perdas na distribuição, o volume de água recuperado seria suficiente para abastecer cerca de 719,7 mil pessoas.

Resposta da concessionária

Procurada pelo g1, a Águas de Manaus, concessionária responsável pelo abastecimento de água na capital amazonense, informou que reduziu o índice de perdas de água de 74,95% para 45,25% nos últimos oito anos, uma queda de quase 30 pontos percentuais. Segundo a empresa, o percentual atual está próximo da média nacional, de 41%.

A concessionária atribui o resultado a investimentos superiores a R$ 2,3 bilhões na ampliação e modernização do sistema de abastecimento. Entre as ações realizadas estão a implantação de mais de 200 quilômetros de redes de água em áreas vulneráveis e a criação do Centro de Operações Integradas (COI), que monitora o sistema 24 horas por dia e permite identificar vazamentos com mais rapidez.

A Águas de Manaus informou ainda que pretende manter os investimentos nos próximos anos, com foco na modernização da rede, na ampliação do abastecimento em áreas de expansão da cidade e na continuidade das ações para reduzir as perdas de água.

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