A manicure Fernanda decidiu responder publicamente a uma publicação machista feita pelo próprio filho nas redes sociais, gerando um vídeo que já ultrapassou 6 milhões de visualizações. A bronca, que se tornou viral, transformou-se em um alerta sobre a influência da chamada machosfera entre adolescentes. A história foi destaque no Globo Repórter desta sexta-feira (10), que investiga como comunidades e influenciadores da internet têm disseminado discursos misóginos e conquistado um público cada vez mais jovem.
A bronca que viralizou
Tudo começou quando Fernanda viu o filho publicar a frase: "Mulher é igual roupa. Se não for a preferida, nós empresta pros amigos." Indignada, ela gravou um vídeo usando o próprio perfil do adolescente para deixar claro que aquela mensagem não representava os valores ensinados em casa. "Eu sou a mãe dele e estou aqui para falar dessa frase linda que ele colocou. [...] Essa não é a educação que tem em casa", disse no vídeo que rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais.
'Ele apenas reproduziu o que viu'
No programa, Fernanda conta que a maior preocupação não foi apenas a postagem, mas a origem daquele discurso. Segundo ela, o filho afirmou que havia publicado a frase porque esse tipo de conteúdo era comum entre adolescentes. "Foi só um conteúdo", justificou o jovem. Para a mãe, porém, essa explicação reforçou o problema. "Ele apenas reproduziu aquilo que viu. A influência veio de lá", afirma, referindo-se às redes sociais.
Castigo virou 'detox digital'
Depois do episódio, o adolescente ficou dois meses sem celular e sem acesso à internet. O afastamento das redes mudou sua rotina: ele voltou a jogar bola, empinar pipa e frequentar mais a igreja. No Globo Repórter, o jovem admite que entrou "na onda" para tentar viralizar e reconhece que errou. "Nunca mais. Em hipótese alguma, nunca fale de mulher", diz.
Um caso que reflete um problema maior
A história de Fernanda é usada pelo programa para mostrar como conteúdos da chamada machosfera têm chegado aos adolescentes. Também conhecido como movimento "red pill", esse universo digital reúne perfis que promovem discursos de superioridade masculina, relativizam a violência contra mulheres e estimulam comportamentos misóginos. O Globo Repórter também apresentou pesquisas inéditas e ouviu especialistas que alertam para o crescimento desse tipo de conteúdo nas plataformas digitais e seus impactos sobre o comportamento de meninos e jovens.



