A Phia, startup de publicidade cofundada por Phoebe Gates, filha do bilionário Bill Gates, está sendo acusada de violar regras do marketing de afiliados ao inserir cookies de rastreamento sem interação do usuário, prática conhecida como cookie stuffing. A extensão de navegador da empresa, que se apresenta como uma assistente pessoal de compras, teria reivindicado comissões por vendas que não gerou, segundo investigação da Bloomberg, do pesquisador Ben Edelman e da concorrente Capital One Shopping.
Como funciona a suposta fraude
A Phia, lançada em 2025, oferece uma extensão que promete encontrar cupons e menores preços em roupas e acessórios. No entanto, testes da Bloomberg em mais de 50 sites revelaram que, durante o checkout, a ferramenta abria uma aba em segundo plano sem aviso, inserindo seu próprio código de afiliado e substituindo o de outros publishers. A prática viola políticas de redes como Impact.com, CJ Affiliate, Rakuten e Awin.
Ben Edelman, especialista em marketing de afiliados, afirmou: “O requisito mais fundamental do marketing de afiliados é que a comissão só seja paga se o usuário clicar. As regras não permitem cliques falsos, simulados, imaginários ou hipotéticos. Apenas um clique real serve.”
Capital One Shopping alerta varejistas
A Capital One Shopping, concorrente da Phia, enviou um e-mail a varejistas na terça-feira alertando sobre a prática. A mensagem, obtida pela Bloomberg, incluía vídeos que mostravam a extensão abrindo silenciosamente uma aba para instalar seu cookie. “Publishers como nós estão perdendo receitas relevantes. E anunciantes como vocês estão perdendo dinheiro para cliques falsos”, dizia o e-mail. A Capital One confirmou a autenticidade, mas não comentou especificamente sobre a Phia.
Phia reconhece problema e diz ter corrigido
Um porta-voz da Phia afirmou que o problema foi identificado e corrigido em 24 horas. “Nas últimas 24 horas, tomamos conhecimento de que uma versão recente de nosso código estava causando atribuições incorretas para um subconjunto de usuários. Assim que fomos informados, nossa equipe trabalhou durante a noite para identificar, mitigar e resolver a questão.” A Bloomberg testou novamente a extensão em 7 de julho e confirmou que os cliques automáticos haviam cessado.
Segundo a Phia, o código problemático havia sido introduzido em dezembro. A empresa afirma passar por auditorias regulares e “sempre manteve conformidade” com as regras do setor.
Impact.com suspende conta da Phia
A Impact.com, uma das principais redes de afiliados, informou que suspendeu a conta da Phia após identificar comportamentos “inconsistentes com as políticas da plataforma”. A empresa disse estar trabalhando com a startup para revisar transações afetadas e determinar medidas corretivas.
A prática de cookie stuffing também viola os termos de serviço de varejistas como eBay e Walmart. A Bloomberg observou o comportamento em mais de 50 sites, incluindo Nike, Zara e Nordstrom.
Contexto e repercussão
A Phia foi fundada por Phoebe Gates, 23, e Sophia Kianni. A startup levantou US$ 43,5 milhões de investidores como Notable Capital, Kleiner Perkins e Khosla Ventures, além de celebridades como Sydney Sweeney, Khloe Kardashian e Hailey Bieber. O aplicativo foi baixado mais de 1,2 milhão de vezes nos últimos 12 meses, segundo a Appfigures.
Esta não é a primeira polêmica da Phia. Em 2024, pesquisadores de segurança descobriram que a extensão registrava o histórico de navegação dos usuários, incluindo capturas de páginas com informações sensíveis, como extratos bancários. A empresa disse ter corrigido a falha.
Casos semelhantes já ocorreram no setor. A Honey, da PayPal, enfrentou acusações de cookie stuffing em 2024 e 2025, resultando em uma ação coletiva na Califórnia. A Capital One Shopping também foi alvo de processo movido por influenciadores, mas fez acordo para encerrar o caso.



