Qualcomm mira wearables com IA e desafia Nvidia na guerra dos chips
Qualcomm mira wearables com IA e desafia Nvidia

Esqueça um pouco os supercomputadores barulhentos e os data centers gigantescos que hoje dão a liderança da IA para a Nvidia. Segundo o CEO da Qualcomm, o brasileiro Cristiano Amon, uma nova frente da “guerra dos chips” está surgindo.

Qualcomm aposta em wearables com IA

Em entrevista ao canal de televisão CNBC, o executivo afirmou que a empresa está apostando em mais de 40 dispositivos “wearables” com IA diferentes, incluindo óculos, bijuterias, fones de ouvido com câmeras, broches e relógios. A estratégia é bem diferente do que a Qualcomm tem feito até então, já que, em vez de focar no silício que abastece os smartphones tradicionais (seu principal território), a companhia agora quer moldar chips para formatos inéditos.

Novas soluções anunciadas

Para começar a pavimentar esse caminho, a Qualcomm anunciou duas novas soluções: o Snapdragon Reality Elite, uma plataforma para óculos de realidade mista projetada para executar IA no próprio dispositivo, e o START (sigla para “Scalable Turnkey AI-Ready Toolkit”), uma combinação de módulos de hardware e software voltada para acelerar a criação de dispositivos de IA, começando por óculos inteligentes.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

O movimento chegou a ser antecipado por Cristiano Amon no ano passado, durante o Web Summit Lisboa, quando ele disse a jornalistas que a batalha dos chips está apenas começando. Segundo o CEO, a verdadeira competição está na eficiência de processamento versus o consumo de energia, algo que a companhia já faz bem. “A gente veio de processadores que estão acostumados a trabalhar com bateria, consumo de bateria baixa”, disse ele na ocasião.

Dos data centers para o edge computing

Para entender o movimento estratégico da Qualcomm, é preciso olhar para a arquitetura atual do mercado de tecnologia. Hoje, a “guerra dos chips” está concentrada nos data centers, com empresas comprando massivamente as GPUs da Nvidia para treinar modelos gigantescos na nuvem. Mas uma das grandes apostas da indústria é que parte cada vez maior da inteligência artificial passe a ser executada na borda da rede, em dispositivos próximos ao usuário, complementando o processamento realizado nos data centers.

De acordo com previsões de institutos como o IDC (International Data Corporation), o próximo estágio dessa corrida pode ser marcado pela expansão da IA para a “computação na ponta” (chamada de “edge computing”, no termo em inglês). Na prática, o edge computing distribui o processamento entre diferentes camadas. Parte das tarefas mais simples e urgentes acontece diretamente no dispositivo do usuário (como um óculos inteligente ou smartphone) enquanto operações mais complexas continuam sendo executadas em servidores na nuvem. Ou seja, em vez de enviar absolutamente tudo para a nuvem através da internet, o que gera atrasos (latência) e exige conexão constante, a tecnologia divide o trabalho.

Dispositivos como smartphones e smart glasses ficam responsáveis pelas respostas mais rápidas e contextualizadas, enquanto os grandes data centers seguem encarregados das atividades que exigem enorme capacidade computacional, como treinar modelos de IA, armazenar grandes volumes de dados e executar operações complexas.

Oportunidade para a Qualcomm

É justamente nesse cenário que a Qualcomm enxerga uma oportunidade. Diferentemente da Nvidia, cuja liderança foi construída em GPUs para servidores e data centers, a Qualcomm desenvolveu sua expertise em chips para smartphones, tablets e outros dispositivos móveis. Se a próxima onda da IA exigir processamento local em equipamentos compactos e de baixo consumo energético, a empresa acredita estar bem posicionada para competir.

Curiosamente, a Qualcomm não quer abrir mão de nenhum dos lados da moeda, uma vez que a própria empresa já ensaia entrar no mercado de data centers com a criação da marca Dragonfly, anunciada no começo do mês.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar